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Opinião

Alemães no Rio Grande do Sul – 200 Anos (Parte 2)

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Por Marlei Klein

“O verdadeiro amor pela sua terra não é o simples amor ao solo, mas o respeito às gerações que o fertilizaram” – Die wahere Liebe zur Heimat zeigt sich nicht nur in der Liebe zur Scholle, sondem auch in der Würdigung der Geschlechter, die sie fruchtbar gemacht haben”

 

 

Nos séculos XIX e XX

Grande número de imigrantes chega ao Brasil. Entre 1824 e 1969, ingressaram no Brasil 250.166 alemães. Em 1857, 15% dos habitantes de Porto Alegre eram teutos. Nessa época, também chegaram ao Brasil poloneses, portugueses, espanhóis, japoneses e italianos. Em 1872, São Leopoldo tinha uma população maior do que a de Porto Alegre, a grande maioria era de alemães.                                  

 

Na história

O primeiro livro em língua alemã foi escrito por Hans Staden que aportou no Brasil por volta de 1550. Ficou prisioneiro dos índios tupinambás, porém conseguiu escapar. Em 1806, Napoleão Bonaparte dissolveu o que se chamou de Sacro Império Romano-Germânico. Este abrangia territórios de diversos países europeus. Havia muita miséria e fome. Os estados alemães estavam devastados. O alistamento militar era obrigatório. O alimento mais importante era a batata, praticamente não tinham carne – a não ser alguma provinda da caça, mas esta era controlada.

 

O sonho brasileiro

O Império Português começou a fazer propaganda por esses países da Europa em busca de imigrantes para o trabalho, principalmente para as fazendas de São Paulo. Garantiam que receberiam ferramentas, terras e sementes. Mas o Imperador Dom Pedro I também buscava incentivo para o desenvolvimento de pequenas fábricas.    A intenção era que, aos poucos, elas se transformassem em médias e grandes indústrias. Queria, assim, substituir a mão de obra africana. Outro objetivo do Imperador era que viessem homens para juntar aos que lutavam nas guerras travadas no Brasil, ao longo do século.  

 

Várias origens

Não chegaram ao Brasil apenas imigrantes do território alemão. Vieram também da Áustria, Luxemburgo, Polônia e de outros países do centro da Europa.   Em 1824, o navio Germânia com 401 passageiros alemães a bordo, entre soldados e colonos, partiu do Porto de Hamburgo-Alemanha para o Brasil.

 

Chegada ao Rio Grande do Sul

A história de um país pode ser dividida tomando um fato divisor. No caso do Rio Grande do Sul, há um que pode servir de divisor: A chegada dos primeiros imigrantes alemães à então Província de São Pedro do Rio Grande, no dia 25 de julho de 1824. Este ano, é o momento que permite fazer a divisão em “antes” e “depois”. Isso não significa que essa data esteja indicando que “antes” foi melhor ou pior. E que “depois’ foi melhor ou pior. A data revela as mudanças significativas que alteraram a história gaúcha para sempre.

 

Quem sabia que o Brasil existia

Nos meios políticos o Brasil era conhecido. A filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano da Nação Alemã, ao mesmo tempo era Francisco I, primeiro Imperador da Áustria, da Casa dos Habsburgos, era casada com o jovem Imperador Dom Pedro I- da Casa de Bragança- Portugal. O nome da arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa casou com Dom Pedro em 1817, por procuração, em Viena-Áustria. Era comum as famílias nobres fazerem esses arranjos. Leopoldina ficou muito ligada aos imigrantes alemães.

Ela não era uma linda princesa, mas era simpática, de cabelos louros, olhos azuis, atenciosa, cativante, inteligente. Ela conquistou os brasileiros, que a consideraram uma “mãe” nessa sua nova pátria. Pelo fato de ela ser de origem germânica e ser Imperatriz do Brasil, deu ênfase à imigração alemã.

 

Muitas são as razões da vinda dos alemães

Na família alemã havia o “Erbrecht” – o direito hereditário das terras ao filho mais velho. Como não houvesse mão-de-obra à disposição, famílias com muitos filhos originaram graves problemas de subsistência. Ao mesmo tempo, o país enfrentou grande devastação com as guerras. A invenção da máquina a vapor dispensou mão-de-obra e aconteceu grande desemprego. Os que não possuíam terras, também tiveram dificuldade com o emprego. Os artesãos perderam oportunidades, mas no Brasil foram muito importantes, porque lançaram as bases da industrialização.    

 

Imigrantes alemães e suas profissões

Os que aqui chegaram até o ano de 1830, eram artífices, agricultores e alguns profissionais liberais. Entre os artífices- no ramo de tecidos os alfaiates e os tecelões – os mais bem representados. Depois, no ramo do couro- sapateiros, curtidores, seleiros e pelo ramo da madeira- carpinteiros e marceneiros. Esses três grupos profissionais representaram mais da metade dos artífices. Havia ainda ferreiros, serralheiros, padeiros e açougueiros. Eles foram a origem das indústrias de metal, de gêneros alimentícios e de construções. Vieram também antigos navegadores do Rio Reno e Mosela, que estabeleceram um intenso movimento de barcos entre São Leopoldo e Porto Alegre.

 

Sociedades germânicas

As sociedades estão entre os empreendimentos fundadas pelos imigrantes, e não só agregaram esportes e lazer, mas reforçaram o vínculo comunitário e a preservação da identidade.

 

Conclusão

É possível, hoje, dizer que o espírito alemão é mais preservado no Brasil do que na própria Alemanha...” De 25 de Julho de 1924 para cá, os imigrantes desenvolveram vilas e cidades, formaram famílias, fundaram negócios e ajudaram a construir o que é, hoje, o nosso Rio Grande do Sul.

 

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