Quando cheguei em Erexim em 1960, senti o sonho dos professores advogados e da população em geral, em conseguirem cursos superiores no local, porque naquela época eram poucos os professores formados, sendo que a maioria tinha, do Mec, licença para lecionar, com a obrigação de cursar faculdades que ministrassem Curso de Férias. E o local mais próximo era Passo Fundo, onde o professor, passando no vestibular, tinha que passar as férias de fim de ano e metade do ano cursando faculdade, e para tanto, passar todo esse tempo se hospedando em hotéis e pensões.
O sonho logo foi desfeito
Assim, quando o professor Pedro Paulo Mandelli conseguiu fazer funcionar 4 cursos, em 1962, cursei História. O sonho logo foi desfeito pelo Ministério de Educação, face às irregularidades em seu funcionamento, até hoje não bem explicado.
A importância do Café Grazziotin
Como o Café Grazziotin era o local onde os erexinenses se reuniam, para um cafezinho nas tardes e noites, o assunto entre os ex-alunos era ver seus cursos funcionarem novamente. A vítima era o professor Tobias Pereira Sobrinho, também advogado e Delegado de Educação. E os que cotidianamente cobravam eram Paulo Reis Franklin Da Silva, que cursou Filosofia, e Dilson Spinato e eu, que cursamos História.
Discussão com mais calma
E assim se passaram anos, até que, reunidos novamente os quatro no café, em 1968. Dilson Spinato disse que deveríamos nos reunir em sua casa no domingo seguinte, para, com mais calma, discutir tanta demora no Mec.
Necessidade de pressionar o MEC
Após duas reuniões ficou claro que alguém deveria, junto ao MEC, saber da realidade, porque a Universidade de Passo Fundo pretendia trazer uma extensão com dois cursos. Conversando com o prefeito de Erechim na época, Dr. Eduardo Pinto, o mesmo se mostrou preocupado, e colocou-se à disposição, prometendo nos dar apoio.
Faltava dinheiro e a rifa
Assim, como o Prof. Tobias e eu, não tínhamos condições de se ausentar, face as aulas e a advocacia, e o Dilson também não podendo sair, o Paulo conseguiu licença junto ao seu empregador. Faltava dinheiro que conseguimos com um título do Ypiranga colocado em
rifa.
A rivalidade futebolística
Com o retorno do Paulo, tivemos a certeza que a Faculdade do Mandelli não teria continuidade, sendo a solução a proposta de Passo Fundo, que a população de modo geral não aceitava, face a rivalidade futebolística que imperava na época. Por ter passado quatro anos junto ao Dr. Pinto, em audiências criminais quase diárias, fui incumbido de levar a notícia ao prefeito.
Os dois primeiros cursos
Ativo e determinado como sempre, o prefeito sabendo que naquela tarde eu não tinha compromissos maiores, chamou o motorista e nos tocamos para Passo Fundo. E ali, o Dr. Pinto e o Pe. Guareschi acertaram uma reunião com a Direção da Universidade e prefeitos da região, em 24 de julho de1968, quando foi acertada a instalação de 2 cursos: Letras e Estudos Sociais junto ao Colégio São José. Foi empossado em 10 de março de 1969, o professor Guilherme Barp, como Coordenador da Extensão.
Necessidade de um prédio próprio
Em 1970, o Padre. Guareschi reiterou a necessidade de um prédio próprio, sob pena de terminar o curso em Passo Fundo. O novo prefeito, Irani Jaime Farina, sabendo de tal exigência, designou uma Comissão de alto nível para assessorá-lo, formada por pessoas ligadas à construção do Estádio do Ipiranga.
O prefeito e o convencimento
Vendo a situação complicada, com a Comissão aconselhando a construção de prédios no KM 6, me candidatei à presidência do Diretório Acadêmico. E assim, como também era presidente de Subseção da OAB local, conseguimos demonstrar ao prefeito que só a compra do prédio da Escola Santo Agostinho, toda montada para uso imediato, teríamos a continuidade dos cursos.
A compra do prédio e evolução ao longo dos anos
Como resultado, o prefeito Irani garantiu a compra do prédio, e ali as duas turmas receberam seus diplomas em 11/12/1971, com continuidade até hoje, agora URI, e abarcando atualmente o curso de Medicina.
Os protagonistas
Entendo assim que, não fosse a atitude de Dilson Spinato em buscar a verdade na paralisação da faculdade do Prof. Pedro Paulo Mandelli, seguida da atitude firme do prefeito Eduardo Pinto no funcionamento da Extensão da Universidade de Passo Fundo junto ao Colégio São José, terminando com a compra do prédio da Escola Santo Agostinho pelo Prefeito Irani Jaime Farina, Erexim poderia ter curso superior não se sabe quando e onde. Assim, entendo que se não fosse a atuação firme desses três personagens, a URI hoje não existiria. Acho até que deveria haver um mural com o nome dos três, e só eles, os criadores do ensino superior em Erexim.