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Opinião

Norte da Europa – São Petersburgo (Rússia) – Cruzeiro pelos Países Bálticos – Escandinávia – Letônia (Riga)

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Por Marlei Carmen Reginatto Klein

Reminiscências

Os países Bálticos são os que estão junto ao Mar Báltico: Estônia, capital Tallin – Letônia, capital Riga – Lituânia, capital Vilnius. São de muita diversidade, grande riqueza cultural, social, política e econômica. Foram, durante muitos anos, de domínio russo. Gradativamente, redescobrem suas identidades em consequência do colapso da antiga União Soviética. Em artigo anterior, foi abordada a Estônia e a sua capital Tallin. Agora, será a Letônia e sua capital Riga.

 

Letônia- capital Riga

No século XIII, o Mar Báltico era o campo de uma batalha econômica entre os germânicos e os escandinavos. Riga foi fundada pelos germânicos que a disputavam com os dinamarqueses. Ela foi de grande importância, na época, com muitos habitantes poderia ser comparada com as melhores cidades da Suécia.

 

Riga- sua história

Foi fundada em 1201, por Albert de Buxhövden, bispo da Livôvia. Dos seus primórdios, conservou a catedral gótica de Santa Maria, ornada com um telhado idêntico ao das casas comerciais da Idade Média. Da mesma época medieval, a sede da confraria dos Cabeças Negras. Esta reunia os comerciantes vindos do estrangeiro para negociar em Riga. Em 1561, vinte anos após a dissolução do poder dos germânicos, a cidade passou ao poder dos poloneses e, em 1621, foi submetida ao Rei da Suécia. Os suecos ocuparam o antigo castelo do século XV, próximo à ponte Vansu.

Em 1710, Riga perdeu dois terços dos seus cidadãos durante o cerco que resultou na tomada da cidade pelo czar Pedro- o Grande – da Rússia. Seu porto, muito importante, que no inverno não congelava, chegou a ser, em 1914, a primeira cidade mais importante da Rússia. Tornou-se independente em 1918. Milhares de cidadãos da capital desapareceram sob a tutela soviética. Sua execução ou deportação criou um vazio demográfico que só seria superado mais tarde pelas ondas de imigrantes que fugiram da Rússia. Riga, que fora uma cidade cosmopolita, tornou-se, antes da sua independência, 70% russa.

 

A velha Riga

Ela é o coração histórico da cidade. Está situada na margem direita do Rio Daugava. Ali, cerca de 500 prédios, cuidadosamente preservados, cobrem oito séculos. De seu período de prosperidade no início do século XIX, conserva grande número de construções em estilo “Art Nouveau”, uma síntese do belo e do útil, da técnica industrial e do ornamento. Lá se encontram antigas casas comerciais e ruas de pedestres.

De 1209, a Igreja de São Pedro eleva-se acima da silhueta da Velha Riga. Até a Segunda Guerra Mundial, sua torre de 120 metros era a construção de madeira mais alta da Europa. Uma das características mais notáveis, no alto da torre da igreja, é um cata-vento em forma de galo. Na Idade Média, quando o vento era favorável para os navios que entravam no porto de Riga, o lado dourado do galo virava-se para a Praça da Prefeitura. Isso significava que seria um dia bom para o comércio e os negócios. Quando o vento impedia os navios de entrar no porto, o galo mostrava seu lado preto. O tempo, o fogo e a guerra quase destruíram a Igreja de São Pedro. Mas, o maior infortúnio ocorreu em maio de 1721. Um raio atingiu a torre e a incendiou. Por ordem do czar russo Pedro, o Grande, que por acaso estava em Riga e ajudou a combater o incêndio, ordenou uma imediata reconstrução. Quando a torre ficou pronta, em 1746, colocaram um novo galo no alto da estrutura. Deve ter sido difícil, pois ele era muito grande e pesado.

 

A primeira árvore de Natal

No piso de paralelepípedos da Praça da Prefeitura, na velha Riga, fica uma placa octogonal que poderia ser confundida com uma tampa de bueiro. Nela se lê: “A primeira árvore em Riga- 1510”. A cidade afirma que é o lar da primeira árvore de Natal decorada em espaço público. Entre o início de dezembro e meados de janeiro a tradição continua. Como parte do festival: “O caminho entre as árvores de Natal”, a cidade é decorada com peças artísticas no tema natalino aumentando o clima mágico antes do Natal. Dizem que a tradição de decorar as árvores de Natal começou com a Irmandade dos Cabeças Negras- comerciantes que se estabeleceram na cidade, no século XIV– a maioria deles era de origem germânica. O nome Cabeças Negras vem do seu escudo com a cabeça de São Maurício, que tinha a pele escura.                

 

Confraria dos Cabeças Negras

Ficava na Praça da Prefeitura. Durante o dia faziam negócios e davam festas à noite. A irmandade se desfez em 1939. O prédio foi destruído por bombas durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruído para a festa de 800 anos de Riga, em 2001. Essa casa continua a ser uma das estruturas mais atraentes e extravagantes da cidade. No seu Salão de Comemorações acontecem os grandes eventos.

 

Uma noite de Natal

Esta é uma bela narração de uma escritora local: “A festa está animadíssima no Salão de Comemorações, na Casa dos Cabeças Negras. No meio do salão há uma mesa comprida coberta de pratos festivos e garrafas de vinho. A sala fervilha com as conversas animadas de capitães, escriturários e mercadores bêbados. Pela janela, pode-se ver a neve caindo na Praça da Prefeitura. Um imenso pinheiro, trazido da floresta, está ali em pé, na praça. Logo será incendiado, como parte da antiga tradição de comemorar o dia mais curto do ano- 24 de dezembro. Entre os convivas, surge uma discussão acalorada sobre como queimar o pinheiro. Se não tomarem cuidado, o fogo pode, rapidamente, lamber as casas de madeira de Riga. Quando a festa acaba, os mercadores, armados de tochas, se espalham por toda a praça. Um milagre, cintilando na neve sob a luz da lua, os aguarda. As crianças locais enfeitaram o pinheiro com flores e frutas secas, doces e fitas coloridas. Os espantados cabeças negras param e fitam a cena de conto de fadas”.

 

Conclusão

Nos anos seguintes, o pinheiro permaneceu em pé e enfeitado. Ficou uma tradição que, no mundo inteiro, continua até hoje na época do Natal.

 

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