A importância dos cuidados e da prevenção para minimizar os riscos para a terceira idade
O problema das quedas domésticas entre os idosos está ganhando mais notoriedade nesses últimos tempos. Há pouco, Lula, o atual presidente do país, precisou ser hospitalizado e, mais recentemente, o cantor Agnaldo Rayol, acabou falecendo em decorrência de um tombo. Com o passar dos anos as quedas não só aumentam o risco de fraturas, mas também afetam a saúde emocional e a qualidade de vida dos mais velhos.
Cuidados
Adaptar a casa para as necessidades do idoso é fundamental. Pisos escorregadios, tapetes soltos e iluminação inadequada são fatores de risco. Usar tapetes antiderrapantes, instalar barras de apoio, especialmente no banheiro e ao lado da cama, e garantir que o idoso tenha fácil acesso à luz ao se levantar durante a noite são ajustes simples, mas essenciais.
Manter os músculos fortes através de exercícios adequados pode ajudar bastante. O enfraquecimento muscular que ocorre com a idade reduz a estabilidade e o equilíbrio, tornando as quedas mais frequentes e graves.
O médico ortopedista, doutor Patrick Rech Ramos, salienta que muitas pessoas acabam associando ganhar massa com pessoas extremamente musculosas, porém o ponto é “o idoso manter uma rotina de exercícios para que ele tenha massa muscular suficiente para ele conseguir se locomover com agilidade. E se acontecer alguma coisa, por ter uma melhor massa muscular, ele tem uma recuperação muito melhor da cirurgia”.
Fatores de risco
- Problemas de saúde não diagnosticados: condições como pressão alta, diabetes e problemas de visão podem ser silenciosos e não diagnosticados até que causem efeitos mais graves. Muitos idosos não percebem que suas capacidades físicas estão diminuindo, o que aumenta o risco de quedas;
- Osteoporose e fragilidade óssea: a osteoporose enfraquece os ossos e, com isso, aumenta a chance de fraturas. No entanto, o que é importante compreender é que a osteoporose não impede a recuperação de uma fratura, ela apenas aumenta a chance de que o osso se quebre com mais facilidade. O cuidado com os ossos passa muito pela alimentação e pela rotina de exercícios físicos. Quanto mais utilizado, mais forte é o osso. “Quanto menos a gente usa, mais o osso vai ficando rarefeito, então mais vai levar a uma fratura”, complementa Dr. Patrick.
Recuperação
Embora a consolidação óssea em idosos seja semelhante à de pessoas mais jovens, a recuperação pode ser mais lenta devido a outros fatores, como a presença de comorbidades (diabetes, doenças cardíacas, etc.) ou fragilidade muscular.
Impacto das quedas na saúde geral
Além das fraturas, as quedas podem levar a complicações sérias, como o trauma craniano, que pode ser fatal, especialmente em pessoas que fazem uso de anticoagulantes. A fratura de quadril é particularmente preocupante porque, além de ser uma lesão grave, está associada a uma maior taxa de mortalidade em idosos, especialmente porque pode levar à perda de mobilidade e a complicações secundárias, como pneumonia.
Aumento dos atendimentos
Os números de atendimentos de quedas em idosos são altos, principalmente com fraturas de membro superior, punho, cotovelo e ombro e fratura de quadril e tornozelo.
E muitas vezes, principalmente em idosos mais fragilizados, as fraturas acontecem antes das quedas “Às vezes o paciente ao girar o corpo, principalmente pacientes com osteoporose, quebram o quadril apenas nesse movimento de girar o corpo. Então, às vezes ele cai no chão em virtude da fratura”, pontua Dr. Patrick.
Prevenção
Prevenir quedas vai além da adaptação do ambiente. É necessário que o idoso mantenha um estilo de vida ativo e se envolva ativamente nos cuidados com a sua saúde.
A aceitação de limitações e a busca por ajuda de profissionais é um processo muitas vezes desafiador, mas essencial para que o idoso mantenha sua independência e qualidade de vida. Isso também pode reduzir o risco de quedas futuras.