Além de ver a expectativa de vida aumentar nos últimos anos, um número elevado de brasileiros continua trabalhando mesmo após a aposentadoria. A constatação é de uma pesquisa realizada em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com idosos acima de 60 anos. De acordo com o levantamento, mais de um terço (33,9%) dos idosos que já estão aposentados continuam exercendo alguma atividade profissional. O destaque fica por conta dos profissionais autônomos (17,0%), trabalhadores informais ou que fazem bicos (10,0%) e profissionais liberais (2,1%). Os que ainda atuam como funcionários da iniciativa privada, contudo, são apenas 1,7% do total de entrevistados. Considerando os aposentados que tem entre 60 e 70 anos, o percentual dos que trabalham sobe para 42,3%.
A decisão de seguir trabalhando a esta altura da vida está relacionada, principalmente, à necessidade financeira, embora essa não seja a única razão. A principal justificativa é o complemento da renda, uma vez que a aposentadoria não é o suficiente para pagar as contas (46,9%). Dois em cada dez (23,2%) idosos continuam trabalhando para manter a mente ocupada e 18,7% para se sentirem pessoas mais produtivas na sociedade. Há ainda 9,1% dos idosos que alegaram não ter parado de trabalhar para poder ajudar os familiares financeiramente.
Mão de obra no setor têxtil é escassa
A presidente do Sindicato dos trabalhadores nas indústrias do vestuário e do calçado de Erechim, Clenir dos Santos Torriani, salienta que no ramo têxtil, principalmente, a maioria das pessoas que se aposentam, continuam trabalhando, seja como empregado ou resolvem investir no próprio negócio. “A questão salarial é o principal fator de influência, principalmente por ser um complemento da renda, considerando que o salário do setor é apontado como um dos mais baixos. Além disso, tem a questão de "ocupar a mente” com o trabalho”, comenta.
Ao mesmo tempo, o trabalho é um dos mais procurados por haver demanda. Contudo, segundo a presidente, não é muito valorizado. “Nos preocupa a uma mão de obra que está envelhecendo e a ausência de jovens, que de um modo geral, não se motivam a investir no setor, em razão do baixo salário”, pontua.
Como alternativas para reverter o cenário, Clenir reforça a importância de investimentos por parte de empresas, governo e população, para que invistam e valorizem os produtos locais. “O setor têxtil está em pleno desenvolvimento sendo que na área de corte e costura, 97% da mão de obra é feminina e de calçados o percentual chega a 60%”, cita.
Aos 58 anos, Níceras Fassículo atua em uma empresa do ramo têxtil em Erechim. Costureira há mais de 20 anos e aposentada há oito, ela afirma que não se imagina atuando em outra profissão. Segundo Níceras, o intuito de continuar a trabalhar, mesmo após a conquista da aposentadoria, se deve à questão financeira e também pela motivação em sair de casa para fazer uma das atividades que mais aprecia.
Idosos que trabalham sentem satisfação e orgulho por continuarem ativos
O fato de ainda trabalharem mesmo sendo aposentados gera sentimentos positivos em 70,7% dos idosos como satisfação pessoal (38,8%) e orgulho (19,7%). A ampla maioria dos idosos (76,1%) até consegue se satisfazer financeiramente com a renda que possui, mas em 42,0% dos casos trata-se da “conta certa”. Ou seja, o dinheiro serve apenas para cobrir os gastos mais importantes. Em sentido contrário, quase um quarto (23,4%) dos idosos entrevistados admitem que com a renda atual não conseguem atender todas as suas necessidades. Ainda assim, nove em cada dez (95,7%) idosos contribuem ativamente para o sustento financeiro da casa, sendo que em mais da metade dos casos (59,7%) eles são os principais responsáveis. De modo geral, a aposentadoria e o recebimento de pensão (74,6%) são a principal fonte de renda dos idosos brasileiros, neste caso incluindo aqueles que estão aposentados ou não.