Gdanski foi a antiga Danzig alemã. É o principal porto da Polônia e uma das cidades mais bonitas do país, com seus canais e ruas de fachadas coloridas. Aos domingos, no centro histórico, principalmente na Rua Mariacka, acontecem as feiras. Os moradores parecem que saem todos para as ruas, misturando-se aos turistas. As ruas são fechadas e são instaladas diversas barracas onde são vendidos: artesanato, joias de ouro e prata com âmbar, roupas e culinária.
A multicultural Gdanski
O percurso desde a Porta Wyzyna, antiga entrada da cidade construída no final do século XVI até a de Grüne, em frente ao estuário, é um perfeito mapa de todas as influências que configuram a localidade. Na Rua Real – Ulica Dluga – ficam algumas das casas mais bonitas. Vale a pena fazer uma parada para ver a prefeitura, prédio de estilo gótico-renascentista e a estátua de Netuno, símbolo da profunda união da cidade com o mar. A Rua Real desemboca no Rio Vístula, onde o ar é perfumado pelo cheiro de um mar ligeiramente iodado como é o do Mar Báltico.
Guindaste de madeira
Chama a atenção o único guindaste medieval de madeira conservado na Europa. Sobressaindo do alto de um prédio, em madeira, seu longo braço está sobre o rio. Embaixo, nas águas, os navios mercantes, que percorriam os portos, aguardavam a colocação de cereais e até animais desciam amarrados nos braços do guindaste. O comércio no Porto de Gdanski era intenso.
Basílica de Santa Maria
Ela é o orgulho de Gdanski: a Igreja Gótica de Santa Maria. Considerada o maior templo de tijolos do mundo. Pode acomodar cerca de 25 mil fiéis. Situada no centro histórico, esta igreja medieval levou 159 anos para ser construída. Seu exterior parece ser simples, mas seu interior é espaçoso e luminoso com grandes janelas. Fazem parte dele mais de 30 capelas dedicadas a diferentes santos e muito bem decoradas. A Basílica está situada em local repleto de comércios e onde, aos domingos, funcionam as barraquinhas.
O âmbar
Voltando a falar desse fóssil. Ele desempenha papel importante na economia dos países bálticos. Na região toda é muito apreciado. O interesse por esse fóssil é mundial. Foi formado há cerca de 50 milhões de anos graças à fossilização da resina de florestas de espécie de pinheiros ao longo do Mar Báltico. Hoje, permite aos artesãos, da região, criarem lindas joias, mediante a delicada combinação deste material com ouro ou prata. Recebi a informação de que, para ser realmente precioso, o âmbar deve conter pequena mostra de minúsculos animais fossilizados dentro de suas pedras. Em toda joia deve ser notado algum ponto escuro no interior de sua semitransparência, sinal de fossilização. As cores são de diversos tons de amarelo.
Pulmão verde da Europa
Como os responsáveis da planificação econômica da ex-União Soviética não se interessavam pela exploração da natureza, os países bálticos conservaram as mais belas florestas da Europa. Durante oito séculos, elas escaparam a toda a atividade humana e guardam uma fauna e uma flora quase desaparecidas do resto do continente. Em 1993, as Nações Unidas declararam as áreas florestais da Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Belarus, Ucrânia e Rússia como o “pulmão verde” da Europa. Esses países se comprometeram em manter uma gestão equilibrada das florestas. Estabeleceram áreas naturais para preservação de algumas espécies raras.
Lenda da origem dos belos pinheiros
Os belos pinheiros que se encontram, principalmente, nas praias das cidades balneárias como Sopot e outras do Mar Báltico, são também origem do maravilhoso “âmbar”. Conta a lenda que o gigante Kaleva, herói de exércitos, que lutou contra os inimigos, fundou novas cidades e plantou, em toda a orla do mar, pequenas plantas bem verdes de folhas pontiagudas – os pinheiros. Foi sem sorte, pois morreu perfurado pela sua própria lança. Um herói mítico que, segundo alguns, ainda é visto perambulando por entre a sombra dos pinheiros nas noites de lua cheia.
Culinária em Gdanski
Possui uma gastronomia bem defumada como nos demais países bálticos. Pão preto, leite fermentado e muito peixe. Tudo sempre acompanhado de manteiga e creme de leite. Servido frio, defumado, frito, gratinado e até mesmo quase cru, o peixe é preparado de várias maneiras. Há fartura de salmão, linguado, bacalhau e truta. No Natal, é bem tradicional começar a ceia com um prato feito com bacalhau fresco. Ele é levado para defumação coberto com mel, sal, pimenta-do-reino moída, conhaque e salpicado com endro. Tudo isso é bem esfregado na carne para receber o sabor. O bacalhau deve ser virado diversas vezes até ficar pronto. É servido com pão preto com manteiga, um molho de maionese com mostarda e endro. Mas, além de conhecer as riquezas das águas frias do Mar Báltico, fica muito interessante a degustação das especialidades gastronômicas como o bacalhau e o arenque marinado. Os doces são imperdíveis com as suas deliciosas massas folhadas e diversamente recheadas.
Conclusão
Visitar Gdanski é saber que se está e um dos lugares mais estratégicos desta parte da Europa- “uma chave mestra” como Napoleão afirmou certa vez. Como um grande porto, a cidade constitui-se de parques, jardins, museus, ruas para pedestres e um cais para ser desfrutado. São lugares para se tomar sol nos belos dias. As praças disputam, com aconchegantes cafés, as mesas nas calçadas. Isso quando o tempo permite, pois, o inverno é rigoroso e o vento chega gelado do Mar Báltico. Tudo vem se somar a uma natureza onipresente e a um sentido de cidadania bastante desenvolvido.