Com 50 anos de carreira, o médico urologista compartilha sua trajetória de superação, os avanços da profissão e seu legado
Aos 77 anos, o doutor Dércio Nonemacher, natural de Encantado, no interior do Rio Grande do Sul, celebra 50 anos dedicados à medicina. Sua história começou em 1974, quando se formou pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e seguiu para Porto Alegre, onde completou sua residência em Urologia, até chegar em Erechim, cidade onde construiu sua carreira e marcou a história da medicina local, sendo inclusive Secretário de Saúde em 1993.
A jornada de um sonho
O caminho de Dércio até a medicina foi construído com perseverança e desafios. Estudou um tempo em um internato em São Paulo, retornando a Encantado para a conclusão do Ginasial. Mais tarde, se mudou para Lajeado, onde iniciou o “Científico” para seguir seu sonho. O desejo de estudar Medicina se concretizou após ele entender melhor a química e a física estudando o último ano do Científico na Escola Estadual Júlio de Castilhos, o famoso Julinho, em Porto Alegre. Ao concluir essa etapa, ganhou uma bolsa de um deputado, que lhe possibilitou cursar um ano de preparação no Cursinho Mauá, em Porto Alegre. “Foi através de uma bolsa que passei na UCS”, conta Dércio.
Superação e determinação
Os anos em Caxias do Sul não foram fáceis. Além dos estudos, Dércio trabalhou no Hospital de Saúde de Caxias do Sul, onde enfrentou dificuldades financeiras. Para arcar com os custos, ele trabalhou como porteiro até poder atender os pacientes no último ano de faculdade.
O primeiro ano ganhou meia bolsa da faculdade de Caxias do Sul, dada pela prefeitura e depois de três anos de formado, pagou a bolsa para outro aluno. Os outros anos do curso foram salvos por uma carta. Dércio conta o que poucos sabem. Enquanto trabalhava no hospital decidiu escrever uma carta para cada laboratório pedindo ajuda para poder estudar. Dias depois, um funcionário de um desses laboratórios o surpreendeu com um cheque pagando o restante da faculdade.
“O que me ensinou a encontrar um caminho foi a dificuldade que enfrentei. Quando se tem vontade, a gente segue em frente”, afirma.
Sua persistência foi recompensada. Após terminar a faculdade, ele teve a oportunidade de fazer residência médica em Porto Alegre, primeiro no Hospital Ernesto Dornelles e após no Hospital Nossa Senhora da Conceição, onde se especializou em Urologia. Quando completou sua formação, Dércio se mudou para Erechim, onde iniciou sua carreira no Hospital de Caridade, em 1978.
Medicina e inovação em Erechim
Em Erechim, Dércio se destacou pela atualização constante e pela aplicação das técnicas mais avançadas. E juntamente com o colega urologista, o Dr. Antonio Todeschini e dois nefrologistas, o Dr. Wilmar Spada e o Dr. Dall´Agnol, fundou o Centro Hospitalar Santa Mônica, que foi um dos pioneiros na implementação de novos tratamentos e tecnologias, como a Litotripsia Extracorpórea em 1998, um marco no tratamento de cálculos renais na região. A estrutura do Santa Mônica continuou a crescer, refletindo sua visão de um hospital moderno e bem equipado.
O legado e a visão para o futuro
Ao longo dos anos, Dércio sempre teve uma visão clara sobre a importância de investir em educação e atualização. “A medicina evolui constantemente. O difícil é se manter atualizado. Para isso, é preciso participar de cursos e congressos, o que exige investimento e tempo”, explica o médico.
O legado de Dércio não se limita apenas à sua contribuição profissional. Ele se orgulha especialmente de seu filho, o também urologista Dr. Henrique Nonemacher, que se tornou um excelente médico. “A maior felicidade de um pai é ver seu filho superar seus passos. E o meu filho é melhor que eu”, declara com orgulho.
Com a experiência adquirida ao longo de 50 anos, Dércio segue aprendendo e se especializando, mesmo na fase pré-aposentadoria. Ele se preocupa com o futuro da profissão, especialmente com a dificuldade de novos médicos em se manterem atualizados devido à falta de recursos financeiros.
“Precisamos de médicos bem preparados, e, para isso, é necessário investimento. Se o médico não tiver condições de se atualizar, ele acaba ficando estagnado. E isso é um risco para o futuro da medicina”, alerta.
Dércio Nonemacher deixa claro que, para ele, a medicina é mais do que uma profissão: é uma missão de vida. “A medicina precisa ser digna, ética e qualificada. O médico precisa oferecer confiança ao paciente, e isso só é possível quando há compromisso e caráter”, finaliza.