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Opinião

De exemplos, ações e esperança

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Por Alcides Stumpf - Médico, Membro da Academia Erechinense de Letras e Presidente da A.A. da Biblioteca Pública do RS
Foto Divulgação

Vivemos tempos de antagonismos extremos, época que qualquer assunto banal pode transformar-se em discórdia e, até mesmo, em potencial agressão. Conceitos grupais ou individuais tornaram-se inflexíveis. Parece que estamos inseridos num eterno reality show, onde até a morte se tornou banal nas telinhas e telões, afastando-nos da realidade.

Há uma carência de beleza e espírito, e um excesso de mau gosto e agressividade infestando o ar que respiramos. Cada indivíduo se isola em seu próprio mundo, frequentemente limitado ao ambiente virtual, e o resultado desse afastamento social culmina em retrocesso e desintegração filosófica e cultural.

Entretanto, nem tudo parece perdido. Sustento tal assertiva ao refletir a respeito da tragédia das enchentes que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024.

Afinal, em meio ao caos, vimos despertar uma resposta impressionante de solidariedade, emanada de todos os cantos do Brasil. Iniciativas inesperadas e brilhantes de pessoas comuns, movidas pela coragem e pelo amor ao próximo, trouxeram à tona heróis anônimos e voluntários. Valores fundamentais como piedade, solidariedade e fraternidade foram subitamente redescobertos e resgatados.

Apesar do cenário devastador que destruía lares, escolas e empresas, foi a união que prevaleceu sob a pressão da adversidade.

Cidadãos comuns e iniciativa privadas, deixaram de lado desavenças anteriores e tomaram as primeiras e essenciais medidas de socorro. Sem se guiar por ordens ou códigos específicos, a população e a Defesa Civil uniram forças para ajudar os atingidos.

Esse espírito de companheirismo provou que ainda há esperança para a humanidade, e nos deixou um legado imensurável.

A solidariedade demonstrada revelou nosso potencial para enfrentar desafios com discernimento e maestria.

Embora o ideal seja que tragédias não se fizessem necessárias para aproximar as pessoas, a experiência mostrou que a capacidade humana de cuidar uns dos outros pode prevalecer, abrindo caminho para um futuro mais colaborativo e harmonioso.

Erechim e o Alto Uruguai, por exemplo, destacaram-se ao mobilizar sua comunidade para oferecer ajuda não apenas localmente, mas em todo o estado. A Capital da Amizade provou-se um exemplo de empatia e resiliência, ao demonstrar que, quando juntos por um ideal, podemos superar até os obstáculos mais intransponíveis.

A organização e o engajamento da população para ajudar os necessitados representaram uma inspiração para todos nós, lembrando que ainda é possível acreditar no outro. Ainda há esperança e a certeza que em 2025 vamos reconstruir um mundo melhor.

 

Médico, Membro da Academia Erechinense de Letras e Presidente da A.A. da Biblioteca Pública do RS

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