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Opinião

A magia do Natal num tempo de Esperança- 3

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Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Divulgação

A comemoração pelo mundo - o Natal dos alemães começa com o advento

O Natal na Alemanha e para os alemães é a comemoração mais importante do ano. As festas iniciam no primeiro Domingo de Advento, começo de dezembro. É muito grande a expectativa. Os sinos das igrejas badalam juntamente com toques de trombetas, nas torres das igrejas. Nas cidades alemãs, junto com o frio intenso, se instalam as Feiras de Natal. São barracas brancas, geralmente fornecidas, em padrão, pela prefeitura da cidade.  Até a chegada do Natal elas são o ponto de encontro dos seus habitantes.

Feiras de Natal- ou Mercados de Natal

Estão localizados nos centros das cidades, geralmente em ruas de pedestres ou praças, na estação mais fria do ano. Mas, não deixam de ser um ponto de encontro muito requintado. São visitas e participações obrigatórias para os habitantes e também para os turistas. Estes, ficam encantados com a alegria da tradição. Conheci o Mercado da cidade de Heidelberg. Ele é um dos mais importantes da Alemanha. Os Weihnachtsmarkt são tradição de mais de 600 anos e típicos das festividades natalinas germânicas. Neles, são encontradas iguarias da cozinha alemã de muitas gerações. Chama muito a atenção uns corações de pão-de-mel com dedicatórias escritas com glacê. Perfeitos para serem presenteados. Biscoitos amanteigados, calendários de Natal, que a cada dia revelam uma surpresa- meias de lã bordadas para pendurar na lareira. Servem uma espécie do nosso quentão-um vinho quente- acrescido de cascas de laranja confitadas e gengibre. É servido em canecas de vidro. Estas podem ser devolvidas ou compradas por pouco valor. De repente, começa a nevar e o povo, agasalhado, parece não se importar.

Calendário de Natal

É um painel em lã ou madeira. No Brasil, lamentavelmente, quase não é conhecido. Nele estão colocadas 24 janelinhas com os números de 1 a 24. Elas escondem surpresas. Cada criança tem direito ao seu. Conforme o dia, cada manhã, é aberta uma janelinha. Ela traz um presentinho ou uma tarefa para cumprir.  Procurei dar um para meu neto. Alegria! Ele ficava querendo adivinhar o que seria no dia seguinte.

Mercado de Natal de Heidelberg

Esta cidade vive intensamente o espírito natalino. Ela está localizada no Vale do Rio Neckar, no sudoeste da Alemanha e distante cerca de   90   quilômetros de Frankfurt. Abre no início do Advento. Seu mercado é dos mais famosos e por isso, dos mais procurados. As barraquinhas são organizadas para a população, pelo poder público ou entidades. Encontrei a presença do Rotary Club com o seu espaço de angariação e encontro. A cidade é composta, em maioria, por ruas estreitas, charmosas, com casas que lembram as de contos de fadas. Heidelberg é a sede da mais antiga Universidade europeia, data de 1386.

Aroma de canela – salsichasvinho quente

O Mercado de Natal de Heidelberg possui um diferencial. Ele se ramifica pela parte histórica – a Altstadt – que são seis praças. Andar por ele exige algum esforço. Passando por ele vamos sentir o perfume da canela. Estão expostos lindos corações de pão-de-mel (mel, canela, gengibre) com dedicatórias escritas com glacê.  Há também, uma delícia- a Zimtstern- que é a bolacha mais tradicional. Vem em forma de estrela e a sua massa leva canela, amêndoas ou nozes. Os mini bolos de mel com cravo e amêndoas são deliciosos. Perfumando o ar, também, estão as castanhas assadas. A época da sua colheita foi no outono. No inverno, nas ruas, são assadas em cima de tambores com braseiro e vendidas dentro de cartuchos de papelão. Quentinhas, impossível não experimentar! Uma grande pedida, nas barraquinhas, seria um “Bratwurst”- salsicha alemã com pão bretão – escuro e quentinho. Para acompanhar: o “Glühwein”- vinho quente de inconfundível sabor e perfume- ou um licor de ovos tipo – eggnog. Este é servido quente, em taças, com canela. Para as crianças, a versão do “Glühwein” é o “Kinderpunsch” – um ponche de frutas

Os imigrantes alemães e o natal

Neste ano, no dia 25 de julho, comemoramos os 200 anos de Imigração Alemã, no Rio Grande do Sul. Como vieram de uma Alemanha gelada, no Natal, aqui encontraram muito calor. Mas, procuraram se adaptar. A árvore poderia ser um pinheiro tirado do mato ou outra espécie. Para enfeitá-lo a tradição era toda a família participar. No final, faziam uma oração e, depois, um bom café. Os enfeites vinham da natureza: frutas, sementes, flores e papel colorido.  Nas pontas, colocavam bolas de algodão, para parecer neve.  Todos os dias, as crianças rezavam para o Menino Jesus – “Khristkinnche”- pois era Ele quem trazia os presentes.

São Nicolau

As crianças alemãs possuem dois benfeitores: São Nicolau e o Menino Jesus. O primeiro é comemorado no dia 6 de dezembro. É chamado também de Pai do Natal.  Nicolau nasceu na Ásia e morreu no ano 342. Era uma pessoa muito rica e gostava de dar presentes. Daí a crença de ele presentear as crianças. Hoje, ainda, no Dia de São Nicolau, as crianças da Europa e dos Estados Unidos o festejam.

Esperando as festas

Os nossos primeiros imigrantes continuaram com as tradições da Alemanha, na medida do possível. As cucas e as bolachas de mel começavam a ser feitas dias antes do Dia de São Nicolau. As bolachas eram no formato de botas- lembrando o santo. Podiam ser na forma de coração ou de estrelas. O cheiro de Natal permeava por toda a casa. As crianças ajudavam a preparar os doces e recebiam um pouco. Mas rapidamente, tudo desaparecia e ficava guardado em recipientes de vidro, em local seguro, até o Natal. Na véspera do Dia de São Nicolau, as crianças colocavam seus sapatos ou chinelos limpos defronte da porta da casa. Iam dormir bem cedo. O bom homem, durante a noite, deixava nozes e bolachas em seus sapatos, como recompensa.

O Natal

Para os imigrantes, o Natal era sempre muito família.  A vida social era resumida nos encontros na igreja ou na escola. A falta de caminhos, a distância entre os habitantes e os poucos recursos eram os motivos. A Missa do Galo era, muitas vezes, substituída pela da manhã no Dia de Natal. Era a dificuldade de enfrentar a noite. A ceia acontecia no almoço de Natal. O prato principal era o de uma caça: ganso ou marreco. Na noite da véspera, a família sentava diante do pinheiro. O pai lia a história do nascimento de Jesus. Cantavam hinos e faziam orações. As crianças iam cedo para a cama, na expectativa do “Khristkinnche” deixar presentes junto à árvore de Natal. Caros leitores: Que o Natal seja de troca afetiva, de laços de ternura e de amizade! Um feliz e abençoado Natal!

 

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