A soja, principal cultura de grãos do verão, precisa de chuva para manter estimativas de produtividade na região Alto Uruguai.
Segundo o assistente técnico regional em Culturas da Emater/RS-Ascar de Erechim, o engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, a cultura da soja tem uma área plantada de 254.645 hectares na região Alto Uruguai, representando um aumento de 2,6% de área em relação à safra passada.
Ele explica que houve replantio de soja, nesta safra, e a cultura, no momento, está precisando de chuva, porque está na fase de canivete, formação das vagens. “A produtividade média regional estimada é de 3600 quilos por hectare, isto é, 60 sacas por hectare. As melhores lavouras são aquelas que foram plantadas na resteva do trigo”, comenta Poletto.
Segundo engenheiro agrônoma da Emater, a saca da soja está R$ 127 e do milho R$ 65, em média, e se estes valores não melhorarem, as áreas plantadas por arrendamento não irão se viabilizar. “O produtor vai voltar a plantar na área dele ou achar outras alternativas, como a criação de gado, fruticultura, erva-mate, enfim, vai buscar outras opções”, observa Poletto.
Atualmente, os maiores produtores de soja são os municípios de Sertão, com 31 mil hectares de planta, seguido por Quatro Irmãos, com 17.400 hectares, e em terceiro lugar Campinas do Sul, com 16.200 hectares da leguminosa.
Sertão - Comunidade Santo Antônio
O produtor de soja localizado na Comunidade Santo Antônio, em Sertão, Osvandre Piovesan, planta 135 hectares de soja. “O custo da lavoura de soja gira em torno de 35 a 38 sacos por hectare. As lavouras estavam bem, mas há uns 10 dias começou uma pequena estiagem e a previsão não é muito boa, porque temos mais umas duas semanas de sol pela frente. E aí vai complicar a lavoura. A nossa estimativa, a princípio, de colheita era de 75 a 80 sacos por hectare, mas com esta estiagem e as últimas chuvas, que foram poucas e espalhadas, vai cair bastante a produtividade”, explica o produtor Osvandré.
Comunidade Caçador
O produtor, Rubens Fontana, da Comunidade Caçador, em Sertão, cultiva 145 hectares de soja e afirma que a cultura está bem estabelecida, com controle bem-sucedido de doenças e ervas daninhas, até o momento. Ele explica que a chuva foi na quantia desejada até o fim do ano. “Agora há uma expectativa em relação às chuvas, porque começou uma escassez e as previsões não mostram um cenário muito favorável a curto prazo”, comenta ele.
“Um pouco de cautela com o aparecimento de novas ervas daninhas, aumentando o custo da implantação e a manutenção das lavouras. Um pouco preocupado com a questão do dólar, que acaba balizando os insumos a uma tendência de aumento pós-preços, porém, o mesmo não acontece com o grão, que acaba não acompanhando a subida do dólar”, observa Fontana.
Chuvas irregulares
Segundo extensionista rural da Emater de Sertão, o engenheiro agrônomo, Edgar Frank, a maioria das lavouras está em fase de floração e poucas lavouras em enchimento de grãos. “As chuvas desde o Natal até agora foram bem desparelhas no município, com lugares que choveu 70 milímetros e áreas que não choveu nada. O que preocupa é que nos próximos 15 dias não tem previsão de chuvas boas que possam quebrar este estresse hídrico que está tendo. A situação é preocupante”, afirma Edgar.