Durante a estação mais quente do ano, a alta temperatura e umidade se tornam fatores facilitadores para o aparecimento de diversas doenças em cães, especialmente as virais. Embora essas enfermidades possam surgir em qualquer época, é no verão que a probabilidade de seu desenvolvimento aumenta, tornando ainda mais crucial o cuidado e atenção dos tutores. A parvovirose e a cinomose estão entre as mais prevalentes e de alta mortalidade.
Doenças mais comuns
Essas doenças virais podem ser transmitidas por secreções, com destaque para a parvovirose, que é transmitida principalmente pelas fezes, caracterizando uma contaminação orofecal. Já a cinomose, além das secreções nasais e oculares, também pode ser transmitida pela urina de animais infectados. Ambas as viroses atingem principalmente animais que não possuem o esquema vacinal completo, ou que têm alguma falha imunológica.
A parvovirose é particularmente grave, pois a doença evolui de maneira rápida. Os sintomas mais comuns incluem vômitos e diarreias intensas. Quando não diagnosticada a tempo, a condição pode levar o animal à morte em questão de dias. O tratamento exige internação imediata e o controle dos sintomas, uma vez que não há cura para o vírus. Já a cinomose pode gerar sequelas neurológicas e comprometer o sistema imunológico do animal. Portanto, a prevenção por meio da vacinação é a principal forma de garantir a saúde do pet.
A vacinação é o único meio eficaz de prevenir essas doenças. Para cães, a imunização contra a parvovirose e a cinomose deve ser iniciada a partir dos 55 a 60 dias de vida, com um protocolo de três doses, que deve ser seguido rigorosamente. Os reforços devem ser feitos anualmente. Para gatos, a vacinação contra doenças como a rinotraqueíte felina e a leucemia viral felina também é essencial. Em muitos casos, a vacinação deve ser precedida de testes para verificar a presença do vírus da leucemia viral felina (FeLV), que pode ser transmitido por contato direto, principalmente em ambientes com grande concentração de gatos.
O médico veterinário Wesley Maia, que tem 13 anos de experiência, lembra que além das viroses, o verão também traz o aumento de parasitas, como pulgas e carrapatos, que são comuns nessa época do ano. As pulgas não só causam desconforto, mas também podem transmitir vermes, como a tênia, e bactérias, como o micoplasma, que pode levar à destruição das células sanguíneas nos gatos. Os carrapatos, por sua vez, transmitem a famosa doença do carrapato, que pode causar anemia, sangramentos e até a morte do animal se não tratada adequadamente. “A prevenção, portanto, deve ser feita com antiparasitários, que podem ser administrados por comprimidos, coleiras ou soluções tópicas. A medicação preventiva é muito mais barata e eficaz do que os tratamentos subsequentes para essas doenças”, lembra Wesley.
Embora muitas doenças possam ser tratadas, algumas, como a cinomose, podem deixar sequelas permanentes, principalmente no sistema nervoso. Cães que se recuperam da parvovirose podem enfrentar problemas digestivos por toda a vida, como diarreias frequentes e dificuldades de absorção intestinal. Essas sequelas são consequências da destruição das vilosidades intestinais, que prejudicam a absorção de nutrientes. Mesmo com o tratamento adequado, os danos podem ser irreversíveis, reforçando a importância da prevenção.
Cuidados
Além dos cuidados relacionados a viroses e parasitas, os tutores devem estar cientes da responsabilidade de cuidar de seus animais ao longo de suas vidas. “O cão, seja adotado ou comprado, exige dedicação e cuidados contínuos. O mesmo se aplica aos gatos, que, embora menos exigentes em termos de passeios e atividades externas, também precisam de atenção, especialmente quanto à alimentação e à saúde”, pontua Wesley. Os animais de raça, embora muitas vezes adoráveis, podem apresentar predisposição a certas doenças, e a humanização excessiva pode levar a problemas de saúde, como obesidade e doenças metabólicas.
A conscientização sobre os cuidados com os animais é essencial para garantir uma vida saudável a longo prazo. A responsabilidade do tutor é enorme, e a decisão de adotar ou comprar um animal deve ser bem pensada, com o compromisso de cuidar dele por toda a vida. Cães e gatos merecem ser tratados com respeito e carinho, pois, para muitos, são considerados membros da família. A prevenção de doenças, a vacinação em dia, o controle de parasitas e a alimentação balanceada são os pilares para garantir que os pets vivam de forma saudável e feliz. O planejamento é essencial, seja para viagens, consultas veterinárias ou para os simples cuidados do dia a dia, garantindo que o animal tenha a qualidade de vida que merece.
O aumento da população dos gatos
Finalmente, o aumento do público de felinos, especialmente após a pandemia, trouxe novas demandas de cuidados. A adoção de gatos cresceu consideravelmente, e, embora os cães ainda sejam preferidos por muitos, os gatos têm conquistado mais espaço como animais de estimação, principalmente pela sua independência e menor exigência de cuidados. No entanto, como bem colocou o veterinário, “tanto cães quanto gatos exigem amor, atenção e um compromisso sério dos tutores, pois, ao decidir ter um animal de estimação, a responsabilidade de cuidar dele é um compromisso de vida”.