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Opinião

Os indígenas e a interpretação da sociedade local sobre eles

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Carlos da Silveira
Por Carlos Silveira - Jornalista e historiador
Foto Arquivo Pessoal

Historicamente, os indígenas chegaram a terras brasileiras há milhares de anos, oportunidade em que povoaram e implantaram aqui a sua cultura, agricultura, sistema de pesca, caça, tratamento com os mortos e outras tantas ações que a história nos conta, muitas vezes não nos livros tradicionais, mas de historiadores que buscam, a fundo, a trajetória destes povos.


Quando a ralé de Portugal chegou ao Brasil para a sua “colonização”, acharam que aqui era uma terra de ninguém e em nome da Igreja e do Governo de Portugal tomaram posse. 


De lá para cá passaram-se mais de 500 anos, muita coisa aconteceu e é contada através dos livros, dos museus, pelos historiadores, pelos professores de História e pelo próprio índio, seja ele de Sul a Norte do Brasil. 


Brigas políticas, econômicas, exploração de terras, exploração sexual, contrabando, fome, inanição, abandono, descaso, e outros tantos pontos pautaram a trajetória dos povos indígenas do Norte a Sul do País.

 

Hoje, espalhados por vários pontos deste Brasil afora continuam sendo pauta no que se refere a direito de terras, vendas de artesanato, brigas de caciques por poder em aldeias, uso excessivo de álcool, crianças vendendo artesanato nas vias públicas e outros tantos pontos que, em muitos aspectos ficam à contragosto por grande parte da população.


Mas, neste processo, até onde vai a raiva humana ou a hostilização pelo fato de serem indígenas e viverem de forma diferente da nossa. Até onde vai a empatia da população na hora de julgar este ou aquele pelo que são ou que representam em nossa sociedade, que é formada por brancos, negros e amarelos?


Em recente reportagem realizada por este jornal, deu para se perceber o quanto o pensamento humano entra em devaneios e a falta de solidariedade torna-se uma tônica no processo de interação entre o homem branco e o indígena. 
Nos mais diferentes comentários nas redes sociais dá para perceber, nitidamente, a visão que é direcionada sobre o indígena, principalmente este que vem ano após ano à Erechim e fica acampado junto a estação Férrea para confeccionar e vender seus produtos nas vias públicas. 


Neste processo a leitura é como uma lápide que separa a situação de ambas as partes, ou seja, os indígenas são alvo de muita discriminação, seja pela raça, seja pela situação econômica em que se encontra. Entre os principais adjetivos pontuados pelos internautas, “vagabundo”, “bêbado” e por aí vai. 


Mas, por incrível que pareça, Erechim tem diversas personas que ficam defronte a bares bebendo e brigando, próximos a supermercados, juntos a praças, nas sinaleiras e em outros tantos lugares, mas que não recebem a mesma denominação por parte dos inseridos na sociedade. Mais fácil denominar os que estão à margem dela. Mais fácil olhar para o índio que mora nas barracas de plástico que olhar para àquele que fica quase nu no semáforo em busca de moedas e que não oferece nada à sociedade. 


Mais fácil olhar para uma criança vendendo artesanato, que por lei Federal é uma prerrogativa dos indígenas, do que olhar para outras que andam pela cidade drogadas e que não oferecem segurança para ninguém. Mais fácil virar a cara para um indígena do que fazer a sua parte na construção de uma sociedade mais justa para todos, afinal, temos origem na África e nesta construção populacional mundial são muitos os nossos descendentes, e o indígena, com certeza, não está fora desta conta. Sejamos mais pacientes, resilientes e humanos. 

 

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