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Opinião

Um estranho no ninho

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Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor

É engraçado como, volta e meia, sinto que não pertenço a este lugar. Não, isso não é um pensamento suicida, ao contrário, é um pensamento de vida. Não estou falando de algo negativo. Na verdade, é até um sentimento comum, um pensamento que surge, sem mais nem menos, enquanto a vida segue o seu curso. Todos nós seguimos com ela, claro. Alguns com mais pressa, outros com menos. E há até aqueles que se entregam ao "deixa a vida me levar, vida leva eu", como diz Zeca Pagodinho, mas, de alguma forma, até esses se movimentam, seja no ritmo que for.

Mas voltando à sensação de não pertencer: ela vem, às vezes, sem aviso, no meio de um dia qualquer, entre compromissos e afazeres. É como se a gente, sem querer, desse um passo para fora do cenário e olhasse tudo de longe, com a sensação de que talvez a peça que estamos interpretando já não se encaixe mais bem naquele palco. Isso não significa que a cortina fechou. Pelo contrário, é um sinal de que está na hora do novo ato.

É importante compreender que a vida é um ciclo constante de evolução, e, muitas vezes, esse sentimento de estranheza diante do próprio espaço é uma indicação de que estamos prontos para algo novo. Acontece com todo mundo, em diferentes momentos da vida. Podemos ficar confortáveis por um tempo, mas sempre chega um momento em que a rotina já não faz tanto sentido, ou que o ambiente que antes nos parecia acolhedor já não se alinha mais com nossos desejos, crenças ou perspectivas.

E aí vem a questão: o que fazer com esse desconforto? Podemos simplesmente aceitá-lo e nos conformar, continuar sendo o estranho no ninho. Ou podemos olhar para esse sentimento como um convite à transformação, uma oportunidade de reinvenção. Afinal, quem nunca se sentiu deslocado em algum momento da vida? Mas a grande sacada está justamente em perceber que esse sentimento não é um fim. Ele é, na verdade, um ponto de partida.

O mais importante é saber que, ao nos sentirmos fora do lugar, o universo nos dá uma chance de buscar um novo espaço, algo que ressoe mais com quem estamos nos tornando. Não se trata de rejeitar o passado ou o que já vivemos, mas de perceber que o futuro exige algo diferente. Pode ser uma mudança de atitude, de ambiente, de hábitos, ou até mesmo de mentalidade. A evolução não acontece sem desconforto, mas é ele que nos impulsiona para novas conquistas.

Portanto, da próxima vez que esse sentimento surgir, não se assuste. Não é o fim. É apenas um sinal de que está na hora de se mover de novo. De crescer. E de buscar um novo espaço onde você possa se sentir, finalmente, em casa.

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