O jornalismo está em xeque, está na mira de todos, ele vive um momento de transformação e revisão, ele virou o objeto de análise e escrutínio, há muito tempo deixou de ser a única versão dos fatos, para estar ao lado de outros pontos de vista, em parte pela socialização da informação pelas redes sociais via mundo digital. A informação profissional está no divã. Mas isso é bom.
Para ficar objetivo, me refiro ao jornalismo feito por profissionais que se dedicam, diariamente, exaustivamente, em transformar a realidade em notícias, com muita responsabilidade, preocupação em noticiar bem e com alguma estética, leveza, para que a leitura seja agradável ou mesmo impactante, e chame a atenção, quando necessário, cuidando os mínimos detalhes para não errar a escrita de uma sílaba, palavra, e, principalmente, o significado do que está sendo informado.
Então, seja, escrevendo num veículo tradicional, como o jornal, ou digital, pelas redes sociais, o jornalismo sempre está se reeditando, se reinventando, contudo, ele sempre está em permanente mutação, porque trabalha com a realidade, sociedade, seres humanos, emoções, com um mundo que está vivo e em movimento.
Por isso que o jornalismo bem-feito, crítico, responsável, com propósito, bem-intencionado, entranhado de interesse público, continuará sendo importante para qualquer sociedade, seja ela onde existir. O jornalismo é uma ferramenta cultural importante para construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, em que o bem-estar das pessoas seja o foco principal.
Trava instransponível
O Copom decidiu novamente aumentar a taxa Selic, levar ela as alturas, e os efeitos são catastróficos para todo o país, apesar da lavagem cerebral que se faz em cima deste assunto, inquestionável.
Com os juros altos a vida, o comércio, as empresas, a economia se inviabilizam no Brasil, não é preciso análise técnica para saber disso. Os juros elevados corroem tudo, tornam impagável e impossível se adquirir a casa própria ou trocar de carro. Estou falando na perspectiva de um trabalhador assalariado que sou, operário das letras, que vive de salário. E assim como eu, existem milhões de pessoas neste Brasil, nesta mesma situação.
Os juros escorchantes, abusivos, ilegais, prejudicam todo o conjunto da sociedade, impedem que o trabalho se multiplique pelo próprio esforço, cria obstáculos enormes para micro, pequenos, médios e grandes empresários, na medida que destrói o poder de compra da população e prejudica, também, as administrações públicas. Enfim, o Brasil deixa de prosperar com esta política econômica insana, que afeta, indistintamente, todo sistema produtivo e comercial do país, porque anula a movimentação de riqueza na economia. Salvo aqueles que têm uma poupança gorda, aí é outro assunto, e, mesmo nestes casos, com os juros elevados, o rendimento é muito inferior frente aos juros que se cobram neste país. Enfim, a vida já está previamente decidida, economicamente, a trava está posta e é impossível transpô-la, a decisão política e econômica por um pequeno grupo determina como 200 milhões de pessoas vão viver, como elas irão comer, passar dificuldades, pagar as contas e prosperar.