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Saúde

Lúpus Eritematoso: quando a pele é o alerta para doenças sistêmicas

O problema pode afetar também órgãos internos, exigindo diagnóstico precoce e acompanhamento especializado.

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As lesões mais comuns são manchas vermelhas, que geralmente aparecem nas regiões mais expostas ao so
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

O Lúpus Eritematoso é uma doença autoimune multifatorial que pode acometer a pele ou se manifestar de forma sistêmica, atingindo órgãos como coração, pulmões, rins e articulações. A dermatologista Elisiane Magnabosco explica que muitas vezes o paciente está doente e não sabe definir exatamente o que está acontecendo, “então, eu digo, essas doenças autoimunes são como um quebra-cabeças, onde vamos juntando as pecinhas”.

Lúpus eritematoso e o sinal de alerta

Quando o Lúpus se manifesta de forma cutânea, é essencial distinguir se ele está restrito à pele ou se há comprometimento sistêmico. As lesões mais comuns incluem manchas vermelhas, crostas e áreas de inflamação, que geralmente aparecem nas regiões mais expostas ao sol, como rosto, braços e colo. “Essas lesões, além de afetarem a estética, comprometem a autoestima do paciente”, destaca Elisiane.

O tratamento do Lúpus cutâneo pode ser simples, mas quando é sistêmico, o quadro se torna mais complexo e envolve outros exames e acompanhamento com especialistas, como reumatologistas. "É importante entender que o Lúpus pode ser uma doença silenciosa, e a pele é frequentemente o primeiro indicativo de algo mais grave", observa a médica.

Principais sintomas e fatores de risco

O Lúpus Eritematoso é mais comum em mulheres, especialmente na faixa etária de 20 a 40 anos, embora possa afetar homens e pessoas mais velhas também. A herança genética desempenha um papel importante no desenvolvimento da doença. “Se a mãe tem Lúpus, a probabilidade de desenvolver a doença é maior, mas não é uma regra absoluta”, explica Elisiane.

Além dos fatores genéticos, a radiação ultravioleta é um grande vilão, desencadeando e agravando as lesões cutâneas. Outros fatores como o tabagismo também têm influência negativa no quadro, com muitos pacientes relatando uma melhora significativa após a cessação do uso de cigarro. "A exposição ao sol, em especial os raios UVA, tem um impacto significativo no desenvolvimento do Lúpus", alerta a dermatologista.

Impactos no couro cabeludo e no estilo de vida

O Lúpus Eritematoso pode também afetar o couro cabeludo, levando a um quadro de calvície permanente em casos graves. A inflamação danifica os folículos pilosos de maneira irreversível, resultando em áreas sem crescimento capilar. "Esse tipo de lesão é muito impactante para os pacientes, especialmente mulheres, pois afeta diretamente a autoestima", pontua Elisiane.

O tabagismo, além de agravar a doença, pode interferir na resposta ao tratamento. Pacientes que abandonam o cigarro podem observar uma melhora significativa na evolução do quadro, com algumas pessoas até alcançando a remissão da doença.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para minimizar os efeitos do Lúpus Eritematoso. Nos casos cutâneos, o uso de corticosteroides tópicos pode ser eficaz, mas para lesões mais extensas, os medicamentos imunossupressores orais são necessários. “A escolha do medicamento depende da gravidade do quadro e deve ser feita por um especialista, levando em consideração os efeitos colaterais”, alerta a médica.

A proteção solar é essencial para evitar o agravamento da doença, já que a exposição à radiação ultravioleta pode desencadear novas lesões. Elisiane destaca que a aplicação diária de protetor solar é fundamental, mesmo em peles negras, que muitas vezes são negligenciadas quanto à proteção solar.

Prevenção e acompanhamento

O Lúpus Eritematoso é uma doença que não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado e acompanhamento regular. A genética pode ser um fator preponderante, mas hábitos saudáveis, como evitar a exposição excessiva ao sol e o tabagismo, podem ajudar a prevenir o aparecimento da doença.

"Com o tratamento adequado, os pacientes podem viver com a pele normal, ou quase normal, e evitar complicações mais graves. A chave está no acompanhamento contínuo e no diagnóstico precoce", conclui Elisiane Magnabosco.

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