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Opinião

Feitos só para servir e morrer?

Serei, em algum momento, prioridade para a sociedade? Ou ela me quer na individualidade? Fomos feitos só para servir e morrer? Esta é a fatia destinada à minha realidade?

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Igor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

Não tenho mais dúvidas se o dinheiro é necessário. Ele é, e na minha concepção um meio e não um fim a ser perseguido a todo custo. Ah, mas se eu tivesse prestado mais atenção no que me diziam? Isso já foi. Não penso assim, sou produto das minhas escolhas, certas ou erradas, e por elas vivo. Nada é fácil quando o assunto é a realidade.

Dentro do meu pequenino mundo a ideia efetiva é sobreviver, quem sabe, estabelecer algum novo projeto e tentar criar as condições para realizá-lo. Eu posso tentar me reinventar, buscar alternativas, construir um retorno pelo meu esforço, contudo, a sociedade sempre estará na minha realidade.

O ano é 2025 e aí me pergunto qual a relação que se deve ter com a sociedade. Ela quer alguma coisa? Que pergunta é esta, afinal? Bem, existe uma opção viável? Ou é melhor ignorá-la? O negócio é cuidar de si e seguir em frente, desconsiderar isso para não sucumbir pelo caminho? O melhor é olhar para a realidade, com distanciamento e, muitas reservas, porque literalmente, é difícil saber o que ela nos reserva?   

Pelo esforço, determinação e iniciativa pessoal posso tentar ser um profissional e um sujeito melhor, para mim e minha família. Quanto da minha vivência e dedicação à sociedade está ligada ou descolada da realidade que eu vivo? Não importa o quanto eu, como indivíduo faça, há lá fora um mundo totalmente distante do nosso controle, que, ao mesmo tempo, tem as suas próprias regras.

Hoje e sempre somos guiados por necessidades, de toda ordem, e, também influenciado pelo meio em que vivemos, que pode abrir portas ou fechá-las. Ele exige de nós e nos convence de muitas coisas que, às vezes, só percebemos com o tempo, no decorrer da “normalidade”, que pode ser de muitas formas.

Mas a sociedade não se transforma no mesmo sentido em que ela cobra o indivíduo. Ela quer sempre mais em troca de sempre menos. E aí é normal que se deixe de acreditar nela e se volte, cada vez mais, para a redoma de individualidade, das tarefas cotidianas, ignorando coisa por coisa, poque o mundo nada oferece e a todo instante quer me fazer acreditar que tudo é somente minha responsabilidade. A maior parte da minha existência, na coletividade, não tem só a ver comigo, mas tem a ver também com a realidade desta sociedade.   

Serei, em algum momento, prioridade para a sociedade? Ou ela me quer na individualidade? Fomos feitos só para servir e morrer? Esta é a fatia destinada à minha realidade?

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