A questão da arborização se torna recorrente em razão das altas temperaturas reinantes no RS e no Brasil. A pouco tempo atras sai postagem de um estudo da Nasa que dizia que o “Brasil se tornaria inabitável”. Achei um absurdo tal afirmação, e fui buscar conhecimento de quem entende do assunto. O colega Engº Florestal Marcos Kazmierczak, especialista em eventos climáticos severos, me disse que locais onde a temperatura ultrapasse aos 35 ºC e umidade relativa do ar acima de 70%, e se torne recorrentes, o ambiente se tornará insuportável para o ser humano, pois faltará haverá umidade excessiva, colapsando os pulmões, dificultando a respiração, desencadeando a debilidade da saúde por problemas cardiorespiratórios. E os estudos climatológicos indicam que no Brasil, especialmente no norte e nordeste, regiões costeiras, poderá haver locais onde as temperaturas ultrapassarão os limites permitidos para a vida humana. Vale frisar que tal estudo causou grande polemica no meio científico.
A GZH publicou que nesta segunda feira, dia 10 de fevereiro, as temperaturas em determinados pontos da cidade de Porto Alegre (cidade baixa) atingiram a marca de 54ºC sob sol escaldante. Já no Parque Harmonia chegou a apenas 26,6ºC sob a sombra das arvores. Praticamente, reduziram a radiação solar em 50%. Bendita sejam as arvores!
O Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) de Erechim (2011) trouxe informações valiosas sobre a situação das áreas verdes e da arborização da cidade, tais como problemas por vandalismo, mutilações (podas), tutoramento das mudas, ataque de pragas e doenças, conflitos com a rede elétrica, raízes danificando calçadas, espécies inadequadas e indesejáveis, ausência de arvores, entre outros.
Há bairros com problemas de vandalismo (arvores injuriadas): Aeroporto, Bela Vista, Cerâmica, Colégio Agrícola, Cristo Rei, Espírito Santo, Fátima, Florestinha, Industrial, Morro da Cegonha, Parque Lívia, Progresso, Santa Catarina, São Cristóvão e Triângulo. O bairro Colégio Agrícola foi o campeão, apresentando 75% das mudas ou arvores tendo sofrido algum tipo de vandalismo.
Bairros com problemas de podas excessivas: Aeroporto, Bela Vista, Cristo Rei, Florestinha, Ipiranga, Morro da Cegonha, Parque Lívia, Presidente Castelo Branco, Progresso, Santa Catarina, e Triângulo. O bairro Florestinha foi o campeão, apresentando 100% dos indivíduos com podas malfeitas.
Bairros que apresentaram falta ou defeito no tutoramento das mudas: Aeroporto, Boa Vista, Progresso e São Cristóvão;
Bairros que apresentaram ataques de pragas, doenças e parasitas nas mudas e/ou arvores: Copas Verdes, Ipiranga, Morro da Cegonha, Parque Lívia, Progresso, e Três Vendas.
Com relação aos conflitos com a fiação elétrica, por terem sido plantadas arvores inadequadas para o local, normalmente de grande porte, de copadas fechadas: bairros Bela Vista, Cerâmica, Morro da Cegonha, Espírito Santo, Linho, Parque Lívia, Presidente Vargas, Progresso e Três Vendas apresentam os maiores índices.
Também, o estudo mostrou que a espécie mais abundante em toda a arborização urbana de Erechim é Ligustro (Ligustrum japonicum), seguida pelo Canela de casca ou do Ceilão (Cinnamomum zeylanicum) e Extremosa (Lagerstroemia indica). Todas são espécies consideradas exóticas, ou seja, originarias de outros países.
Ainda, elencou como bairros prioritários para receberem atenção por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, seja pela falta ou conflitos de uso nas áreas verdes, sejam devido às fragilidades encontradas na arborização urbana, os bairros Bela Vista, Morro da Cegonha,
Progresso, Colégio Agrícola, Aeroporto, Três Vendas, Triângulo, Cristo Rei, Florestinha, Ipiranga, Santa Catarina e São Cristovão.
Desde 2011, muita coisa aconteceu. Talvez, parte dos problemas tenham sido sanados, ou os problemas aumentaram visto que no geral da área urbana não se percebe uma ação planejada com relação a nossa arborização urbana.
Fica a dica aos nossos dirigentes municipais para que deem uma atenção especial a esta questão, pois envolve o embelezamento da cidade e a saúde pública da população.
Importante lembrar que a OMS – Organização Mundial da Saúde recomenda no mínimo 12 metros quadrados (m2) de área verde por habitante. Erechim possui 110.000 habitantes, portanto deveria ter 132 hectares ou 1.320.000 m2 de áreas verdes.