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Opinião

Memórias De Viagem

Mar Báltico – Países Escandinavos – Suécia – Estocolmo

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A GRANDE SUÉCIA – Pelos anos do século XVI, a SUÉCIA encontrava-se em muito melhor desenvolvimento do que os outros países escandinavos- Dinamarca e Noruega. Possuía portos na Polônia e em terras bálticas. Evidentemente, o poderio sueco não era apreciado por seus vizinhos. Assim, a Rússia, a Saxônia e a Dinamarca formaram uma coalizão e declararam guerra contra a Suécia em 1700. Carlos XII, Rei da Suécia, com apenas 18 anos, obteve diversas vitórias. Na Rússia, foi preso, mas conseguiu fugir com alguns homens, onde se refugiaram em terras turcas. Disfarçado, conseguiu sair. De volta à Suécia, organizou um novo exército, mas a Rússia acabou ficando com parte das terras suecas. Mais tarde, essa história seria escrita por Voltaire.

RUMOS DA REALEZA NA SUÉCIA - Depois de derrotas e ganhos uma certa paz foi restabelecida. Em 1810, o Rei da Suécia era Carlos XIII. Já, com certa idade, não tinha filhos e precisava de um herdeiro para o trono. Na época, Napoleão Bonaparte era o homem mais poderoso da Europa. Um brilhante marechal de seus exércitos era Jean-Baptiste Bernadotte. O parlamento sueco, com a ajuda dos aliados do rei, persuadiu os parlamentares a adotarem Bernadotte como regente, que aceitou a nomeação. Este, mostrou ter sido sábia a escolha. Fez alianças militares com a Rússia e a Inglaterra. Foi-lhe oferecido o trono da Noruega, em 1814, e uniu os dois reinos. Estes permaneceram unidos até quando aconteceu a independência norueguesa, em 1905. Bernadotte foi coroado Rei da Suécia adotando o nome de Carlos XIV. Ele era popular, apesar de nunca ter aprendido o idioma local. Morreu em1844, e seus descendentes permanecem no trono sueco desde então.

A SUÉCIA E A NATUREZA - As florestas dominam a paisagem na Suécia e também se impõem nos países bálticos. Hoje, na Suécia, a floresta cobre uma superfície maior do que no início do século XX. Parece que as árvores estão retomando seus direitos e se desenvolvendo onde a terra não é cultivada. A uma centena de quilômetros ao norte de Estocolmo- capital da Suécia – a variedade mais comum é o pinheiro. Mas, nas montanhas, as únicas espécies que resistem são os salgueiros, mas estes não crescem muito. O conjunto dos bosques é de extraordinária biodiversidade. O folclore considera a floresta o reino da deusa da madeira, que tece ninhos a partir dos galhos e cobre o solo com limo. Caminhar sozinho pelas florestas pode ser uma experiência assustadora. Troncos de árvores pela frente e é muito fácil perder-se nas trilhas. Sombras transformam-se em figura sinistras, pedras parecem se mover, milhares de olhos acompanham os passos. Os habitantes locais dizem: “Não caminhe pela floresta sozinho!”

CLARIDADE E ESCURIDÃO - Em meados de dezembro, em Estocolmo, mal a clara luz do dia aparece, as lâmpadas da rua já se acendem para a noite. A escuridão é iluminada por mil luzes de Natal. No campo, a noite é opaca, mas a lua e o cintilar das estrelas na neve iluminam a paisagem. Ao norte, o sol nunca se levanta sobre o horizonte em janeiro e fevereiro. Durante oito semanas reina apenas uma espécie de crepúsculo azulado, acentuado pelo espelho noturno da neve. A combinação de neve, gelo, luz e vento criam uma luminosidade irreal.

AURORA BOREAL - O outono e o inverno, são as estações mais propícias ao espetáculo da aurora boreal. Ela é rápida, não passando de minutos. Verdes, amarelas, violetas ou vermelhas, as auroras boreais brilham no céu invernal. Mas nenhuma delas se parece com a outra. Bem ao norte, esse fenômeno pode ocorrer praticamente todos os dias. No final de dezembro de 2024, esse fenômeno aconteceu em lugares muito raros, como em Paris, França.

Antigamente, as auroras boreais eram consideradas o signo do mau presságio, sobretudo quando as luzes se tingiam de vermelho. Elas são formadas pela poeira solar que forma tempestades na alta atmosfera.

PRÊMIO NOBEL - Todos os anos olhares do mundo se voltam para a Suécia, mais especificamente para Estocolmo- sua capital. Este local é cenário dos prêmios Nobel de Física, Química, Fisiologia, Medicina e Literatura. A cerimônia de entrega é realizada no Stadshuset – a prefeitura. Esta possui uma torre de 106 metros de onde se pode admirar a Cidade Antiga. A visita ao interior do prédio não pode deixar de ser realizada. De grande beleza arquitetônica, pela sua história e importância. A combinação do azul com dourado enobrece o Salão Nobre. Revestimento com madeiras nobres permite trabalhos de pintura e escultura no teto.

PORTOS E PROSPERIDADE - Em toda a Escandinávia, a densidade populacional é maior no litoral, mesmo nos países planos. Ali encontram-se as casas dos pescadores, ao passo que os grandes portos de comércio se concentram no estuário dos rios. As costas do norte da Europa, em particular as dos países bálticos, são pontilhadas por povoados de pescadores. Mas, hoje, com a indústria de transformação de peixe, essa atividade se concentra, cada vez mais, nos grandes portos equipados com instalações de ponta.

CIDADES DO NORTE- Muito urbanizadas, souberam conjugar o passado e a modernidade, ainda que a maioria delas seja muito antiga. Nos países escandinavos, muitos dos grandes centros eram, inicialmente, portos. E nada como chegar pelo mar, em um cruzeiro, e sentir toda a sua originalidade. O prazer de acostar compara-se ao desfrutado durante a travessia marítima.

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