Neste mês de fevereiro e março, tenho andado muito pelo interior de dezenas de municípios da região norte do RS visitando indústrias madeireiras, lenheiros, produtores de maravalha, proprietários de florestas, de ervais, entre outros.
O que mais ouço é a inviabilização das atividades primárias, pela falta de sucessor familiar no meio rural, mas também de sucessor nas atividades industriais e escassez de mão de obra em geral.
Todos são unanimes em dizer “que não existe mais interessados em trabalhar em atividades braçais, e/ou as pessoas estão envelhecendo, não tem mais forças para o trabalho”. Há muitas vagas de empregos com atividades mais severas, como em madeireiras, ervateiras, olarias, na derrubada de florestas, fazedores de lenha, tarefa na colheita de erva mate, no plantio e colheita de lavouras, na produção leiteira, nas indústrias que usam lenha para abastecimento de caldeiras ou fornalhas. “Às vezes aparece alguém, normalmente aposentados ou pessoas sem especialidade, analfabetos, que querem trabalhar por dia, sem qualquer vínculo. Trabalham uma ou duas semanas, e desistem”. Da mesma forma, os filhos destes industrialistas, raramente trabalham junto a empresa, “saem para estudar e não voltam mais para a atividade familiar”.
Qual a razão desta mudança radical que iniciou a 10 anos atrás?
Os pequenos e médios industrialistas e produtores rurais são unanimes em dizer que “as benesses do governo federal e até estadual em programas assistências, especialmente o bolsa família tem gerado esta situação. Famílias inteiras (pai e filhos) não querem trabalhar ou gerar vínculo empregatício para não perder estas benesses.
Temos 54 milhões de pessoas recebendo bolsa família e seus penduricalhos, cujo renda pode ultrapassar a R$ 2.000,00 por pessoa. Isto representa 24,5% da população brasileira. E como não há qualquer espécie de trava ou evolução social para quem recebe o benefício, é cômodo para quem recebe e para estes governos que só pensam no voto “a cabresto” deste cidadão.
Em Erechim a um mês atras havia 2.770 vagas em aberto para quem quisesse trabalhar, mas ninguém aparece. É por isso que vemos levas de venezuelanos, haitianos, senegaleses, e até argentinos vindo suprir as vagas de emprego em nossa cidade, no RS e no Brasil.
Para cada trabalhador brasileiro, pagador de impostos, temos que levar outros cinco (05) nas costas. Qualquer empresário, seja micro, pequeno, médio ou grande, e outro gerador de postos de trabalho, é massacrado com impostos e mais impostos para gerar dinheiro afim de pagar estas benesses, e os usurpadores da patria. Os altos juros é outro problema, e recentemente o aumento do diesel, que se equiparou a gasolina. Lembrando que nosso país é movido pelo diesel nos caminhões que transportam nossa riqueza nas rodovias. O impacto no custo da produção agrícola, de mercadorias, máquinas aumentou significativamente. É bem por isso, que os alimentos aumentarão de preço.
Vivenciamos uma triste realidade. Tratasse de uma situação gravíssima para os municípios menores, não desenvolvidos industrialmente, que dependem exclusivamente de mão de obra não qualificada. A grande maioria das cidades e comunidade interioranas veem sua população minguar. Hoje em muitos locais, seja nas cidades ou no interior, são populações de pessoas envelhecidas, a maioria aposentados, sem força de trabalho, esperando passar seu tempo de vida.
O que acontecerá daqui 10 ou 20 anos? O envelhecimento do povo do interior é uma realidade.
A minha previsão é que “o êxodo rural vai se acelerar, que todo nosso interior virara um deserto, as pequenas vilas ou povoados desaparecerão, assim como a maioria das moradias”. A migração para as cidades continuara, a pobreza aumentara, e muito mais bolsas famílias surgirão”.
A escassez de mão de obra levará muitas empresas a encerrarem suas atividades, caso não optem pela mecanização. Entretanto, muitas não têm capital para adquirir máquinas e equipamentos, e/ou seus proprietários estão apenas esperando chegar a aposentadoria para fechar as portas. Os proprietários rurais dizem que está muito difícil encontrar agregados e caseiros para cuidar das granjas ou fazendas.
Os dados que levantei são alarmantes, 40% das serrarias do interior já fecharam, e outros 30% fecharão nos próximos 10 anos. Da mesma forma, ervateiras, olarias, entre outras.
O que ocorrerá com a nossa propalada agricultura familiar, se hoje as famílias são reduzidas, os filhos não permanecem na propriedade, e o casal está envelhecido sem forças de trabalho?
Vamos para um turbilhão de mudanças radicais, e teremos que nos reinventar seja no meio rural e urbano.