Falar do espaço urbano é quase sempre uma questão polêmica, porque, geralmente, se reduz a conversa ao funcionamento do trânsito, mas o assunto é muito mais complexo que isso. A nossa existência está muito ligada a este espaço, ao que ele pode restringir ou proporcionar de bem-estar. O espaço urbano é uma realidade intricada, emaranhada uma na outra, que afeta a todos.
Erechim por ter sido uma cidade planejada já nasceu em grande parte humanizada, oportuniza para a população espaços públicos, ruas e calçadas largas, canteiros centrais, enfim, bem-estar, contudo, é possível avançar ainda mais, sem perder a sua identidade, pelo contrário, valorizando o aspecto histórico, cultural e funcional do dia a dia.
A estrutura original da cidade dá condições para se ter mais acessibilidade, incluir ciclovias e ciclofaixas, ampliar a segurança ao atravessar a rua, a possibilidade de dirigir num trânsito fluido, ter mais locais públicos de convivência e diversão, sem destruir o que já existe. O espaço urbano de Erechim é muito mais solução que problema.
Neste sentido, Erechim tem, agora, um estudo técnico, científico, com métricas quantitativas e qualitativas, feitas por profissionais da área, mediante pesquisas e audiências públicas: o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Erechim.
Este é um projeto arrojado, técnico e necessário para o próximo passo do desenvolvimento socioeconômicocultural de Erechim. Por quê? Por que o ser humano passa a ter um peso igual ou maior na organização urbana, porque o patrimônio cultural está contemplado, o que sobrou dele. Estes são dois aspectos essenciais do projeto.
O Plano tem como princípios descentralizar o trânsito, democratizar o espaço público, e priorizar o pedestre, enfim, integrar mais pessoas-espaço público-modais e os elementos culturais, dá oportunidade para todos, ele equaliza estas relações. E tudo isso já foi apresentado para a sociedade, já foi dito e noticiado várias vezes.
O ponto central, aqui, é que há muito conteúdo do plano disponível e pronto para ser aplicado, na prática, nas ruas de Erechim. Eis a questão a meu ver. O estudo propõe melhorias e apresenta propostas reais, técnicas, com gabaritos para orientar as ações concretas. Traz análises, medidas, parâmetros que já podem ir para as ruas.
Na diretriz de segurança e circulação viária foram identificados 32 pontos críticos da cidade. Noutra parte, o estudo define as ruas para implantar 11 quilômetros de ciclovias e 39 quilômetros de ciclofaixa. E, também, modelos de cruzamentos completos, inclusive com exemplos reais, na avenida Maurício Cardoso com o viaduto; na rua Henrique Schwerin com a avenida Tiradentes e a Emilio Grando; na avenida José Oscar Salazar e rua Alemanha; mudanças na Praça Prefeito Jayme Lago, e na Praça da Bandeira.
O Plano de Mobilidade traz cinco gabaritos viários, com todas as medidas detalhadas, que já podem ser utilizadas em ações diárias. Por exemplo, se fosse inserir a ciclovia, em toda extensão da avenida Maurício Cardoso e Sete de Setembro, o gabarito seria 1,2 metro para ciclovia (a partir do canteiro central), mais 3,10 metros de pista de rolamento (uma pista) e mais 2,5 metros de estacionamento, somando 6,8 metros, a largura das nossas avenidas sem mexer nos canteiros centrais e nas calçadas. Ah, mas aí vem a pergunta: só um pouquinho, vai ter só uma pista de carro para subir e descer as avenidas? Sim, só uma pista pra desfilar com o carro, fica até mais em evidência.
Nada é simples, requer investimentos, mas as informações já estão disponíveis para serem colocadas em prática.