Não importa o partido, a cor da bandeira ou a posição política do governo, que está à frente do Brasil, este país não foi feito para os brasileiros. Ah, mas que exagero, alguém vai dizer de imediato. Quanto mais o tempo passa, mais esta percepção me parece efetiva de várias formas.
No Brasil, nada é prioridade, aliás, alguma coisa deve ser, mas não sei o quê, óbvio está que o brasileiro de modo geral não é, assim como quem trabalha e produz, as próprias empresas não são, os aposentados nem se fala, e, nem a própria economia é importante para a estrutura política e econômica deste país.
E a pergunta que fica é a mesma: o que afinal é prioritário? Já está para lá de evidente que a vida do brasileiro não é prioridade e muito menos a economia, porque há 30 anos se faz a mesma coisa sem resultados. Os caras estão fazendo o que lá então? Combatendo a inflação a todo custo, a qualquer preço, cegamente, com percepção unânime e inquestionável.
Não importam os efeitos colaterais e todas as atrocidades que vierem pela frente, como se a população morrer, se as empresas fecharem, se as famílias estão tendo dificuldades de pagar as contas e alimentar os seus filhos, nada disso é relevante, a única questão é combater, de forma insana, alienada, destrutiva, obcecada, a inflação, até que não tenha mais país, pessoas, economia, até não sobrar mais nada.
São mais de 30 anos fazendo a mesma coisa sem resultados. Ninguém, nada, nenhuma empresa ou negócio tem três décadas de lastro, de certezas econômicas irrefutáveis, tanto tempo para ficar repetindo o trololó intelectual do economês, diga-se de passagem, extremamente ineficiente, enquanto a população paga um preço desumano, horrível, com o próprio sangue e suor, vivendo todo tipo de privação inimaginável, vivendo sem dignidade e um mínimo de bem-estar todo o mês, acossada pela falta de oportunidades para suprir as necessidades mais básicas.
Para recapitular, fora da unanimidade, segundo a Auditoria Cidadã, a inflação brasileira não decorre de demanda aquecida, mas de preços que não caem com a alta de juros, como combustíveis, gás de cozinha, energia, tarifa bancárias, transporte, plano de saúde, alimentos, nenhum destes preços se reduz quando o Banco Central aumenta os juros.
Até quando esta monumental estratégia, ineficiente, desumana, improdutiva, verdadeira ode ao desperdício e à barbárie, vai acabar?