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Opinião

A Mulher de César e o Vintém

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Dr. Alcides Stumpf
Por Dr. Alcides Mandelli Stumpf - Médico - Presidente da Associação dos Amigos da Biblioteca Pública do Estado - Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Dr. Alcides Mandelli Stumpf

Reza a história que no dia 1º de maio de 62 a.C., Pompeia Sula, segunda esposa de Júlio César — o líder supremo de Roma — organizou uma festa em sua residência. Pompeia era jovem e de aparência fagueira; sua figura contrastava com a já carcomida imagem do general envelhecido, que havia conquistado a Gália, atualmente França.

O rumoroso evento chamou atenção por vários motivos, como veremos adiante.

A princípio, o folguedo era destinado exclusivamente às mulheres, algo como um "clube da Luluzinha" ou “Only for Woman". No entanto, um simpático intruso, Públio Clódio - que nutria forte interesse pela anfitriã -, decidiu se infiltrar na farra das dondocas. Rico e audacioso, ele se disfarçou de tocadora de lira e conseguiu entrar entre as convidadas com o objetivo de se aprochegar à sua amada. No fim, a farsa foi descoberta, e o escândalo tomou conta da cidade de Roma.

Mesmo que não tivesse acontecido nada entre os pombinhos e seus arrulhos, o grande César - que não tinha nada de bobo - imediatamente optou pelo divórcio e cunhou a frase que ficaria para posteridade: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita. A mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”. Mais uma vez o supremo cônsul foi implacável com o destino, inclusive de sua cacarejante esposa. Mas César era César, e só teve um na história.

Impressiona que passados mais de dois mil anos, a lição desse acontecimento persiste atual e relevante. Ela destaca a importância da reputação e da percepção da imagem pública dos que se arvoram a governantes.

Por outra, é igualmente sabido por todos que os maiores inimigos da boa fama são as mentiras, a desonestidade, a falta de transparência, além do comportamento vulgar, o palavreado chulo e aparência desleixada.

Assim é certo que para quem ocupa uma posição de liderança, não basta ter uma conduta moralmente correta — ser honesto. É essencial que as pessoas acreditem nessa honestidade – deve-se, portanto, parecer honesto.

O filósofo chinês Confúcio, há mais de 25 séculos, também dizia que "A imagem vale mais que mil palavras". Contudo, ainda existem os que não compreendem a necessidade de manter a aura impecável enquanto ocupam posições de destaque.

Depois, há os que não sabem o porquê da popularidade de certas figuras proeminentes de ocasião despencar dia após dia.

Certamente esses não leram a história, não sabem nada de história e jamais serão história. Enfim, dizia minha sábia avó, "quem nasceu para ser vintém nunca chega a ser tostão".

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