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Opinião

Até quando?

A realidade política e econômica brasileira tem facilidade enorme em virar tabu e descambar para ideologias extremistas, que nada dizem ou resolvem a realidade de ninguém, aliás, só fazem chafurdar no lodo do radicalismo e da ignorância e em nada contribuem para atentar para as questões reais e essenciais que moldam a vida brasileira.

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Igor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

A decisão de manter os juros exorbitantes no Brasil vai destruindo, mês a mês, e ao longo de três décadas, a economia do país, empobrecendo e arruinando famílias, empresas, impossibilitando novos negócios, minando o sistema produtivo e comercial, sem fazer aquilo que se propõe, que é combater a inflação, pelo contrário, piora a situação, encarece, ainda mais, o custo de vida dos brasileiros.

E não importa o partido, a cor da bandeira ou a posição política do governo, que está à frente do Brasil, o mercado interno não é prioridade e muito menos a população. E a ideia é repetir isso da mesma maneira que se divulga que a solução do Brasil é a inflação e nada mais, efetivamente, importa, senão, acabar com a inflação a qualquer custo até não sobrar mais nada.

O salário mínimo, em 25 anos, segundo o Dieese, saiu de R$ 200 para pouco mais de R$ 1500, aumentou R$ 1300, aí se vê como a economia, dinheiro, produção, é tão importante para o Brasil. Neste período de 25 anos, segundo o Dieese, houve 659 % de reajuste nominal e 289,9% de inflação resultando em aumento real de 94,7%.

Ano após ano, o governo federal arrecada mais e mais recursos públicos, avidamente, e o retorno é cada vez menor para o conjunto da sociedade. Isso já é conversa antiga até pra mim. Mais uma vez a Transbrasiliana está no radar e é pauta, inclusive, eu me deixo enganar facilmente pensando que agora a rodovia vai ser asfaltada. A esperança envenena e nunca morre.  

Conforme o Dieese, sempre que há aumento de salário mínimo há reflexo na economia brasileira. E contrariando outra ideia bem difundida, o foco aqui é o lado oposto à unanimidade, mais recursos nas mãos das famílias significa mais economia, comércio e impostos e alegria para todos.  

Segundo dados e pesquisa do Dieese, em 2025, cerca de 59,9 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo. Com o reajuste para R$ 1.518,00, estima-se R$ 81,5 bilhões de incremento de renda na economia, sendo R$ 43,9 bilhões correspondente ao aumento na arrecadação tributária sobre o consumo. Mais da metade volta para o governo, porque a tributação no Brasil é regressiva, incide demasiadamente sobre o consumo.

A realidade política e econômica brasileira tem facilidade enorme em virar tabu e descambar para ideologias extremistas, que nada dizem ou resolvem a realidade de ninguém, aliás, só fazem chafurdar no lodo do radicalismo e da ignorância e em nada contribuem para atentar para as questões reais e essenciais que moldam a vida brasileira.

Bom lembrar que, fora da unanimidade, segundo a Auditoria Cidadã, a inflação brasileira não se dá pelo excesso de nada, pelo consumo excessivo, mas de preços que não caem com a alta de juros, como combustíveis, gás de cozinha, energia, tarifa bancárias, transporte, plano de saúde, alimentos, nenhum destes preços se reduz quando o Banco Central aumenta os juros. Recapitular que o salário mínimo necessário para atender um casal e duas crianças, com tudo que está lá no papel, Constituição, deveria der R$ 7.398,94. Então, falta, não tem excesso de nada.

Até quando vai haver tanto desperdício de vida, oportunidades e dinheiro? Até sempre pelo jeito. Por ora, encerrar a semana de trabalho rever os amigos, ficar com a família, desopilar, com alguma bebida, e seguir adiante.

 

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