Os aborígenes, povos primitivos da Austrália, tiveram sua História, língua, práticas religiosas e culturais únicas praticamente exterminadas com a chegada dos colonizadores europeus e outros.
No entanto, alguns dos nativos conservaram (por vezes secretamente) a alma ancestral de pureza, bondade, sabedoria, garra, honra e elevada espiritualidade. Eram chamados de mitos luminosos, os “GULAPAS”.
Ouvi a estória de uma “gulapa” mirim, com seus sonhos não realizados. Em sua humilde família não podiam comprar-lhe uma caixa enorme de lápis de cor. Só possuía a bem cuidada e economizada, caixinha de 6 lápis. Livros? Muito raros. Que fazer? Um dia os possuiria.
A “gulapa” juvenil sonhava com um relógio redondo. Aos 15 anos ganhou um pequeno, quadradinho. Que fazer? Um dia...
No tanto de sonhar e esperar, talvez o estudar, estudar, realizasse o sonho de possuir um chalé cujo terreno contivesse um pinheiro e na frente uma colcha de “ jujo e de flores”. Nada! Que fazer?
Na maioridade e após também, prosseguiu o estudar, pesquisar, trabalhar, escrever, publicar quase só artigos e livros. Escreveu mais de 480 artigos. Sempre esperando, confiando, brigando para preservar o patrimônio material e imaterial.
Um dia a cidade teria um enorme MUSEU, era o grande novo sonho, ondesocializar suas pesquisas e achados.
Em certo momento, realizou um Mestrado: História Ibero Americana na PUC. Paixão pela História. O doutorado foi interrompido pelo uso indevido de seu tema e uso de parte de suas pesquisas. Que fazer? Dois anos de psiquiatria! Seguir em frente, mesmo com a ferida da traição sempre doendo.
Passando o tempo, a ainda esperançosa gulapa recebeu convite para escrever uma importante obra. Foram 68 livros lidos. Noventa e três entrevistas gravadas, pesquisas sem fim. Alegria? Não! Plagiadores sem ética se apossaram do trabalho. Que fazer? Brigar, lutar para que seu nome também constasse na obra. Que fazer? Chorar, sofrer, sorrir por fim e perdoar. Acusaram-na de briguenta (alguns). A briguenta sorri aos que surrupiaram o muito do seu. A ferida não cicatrizada a acusa: Você se considera GULAPA? Sempre emprestando seu valor, seu entusiasmo e fé para outros brilharem?
Então, ela fez um parâmetro com o povo brasileiro, espezinhado, posto em currais da ignorância para alimentar uma camarilha nefasta.
Povo que vive (e muitos gostam) de esmolas, em um paternalismo degradante. Alienados, milhares são sustentados por migalhas, não lutando por emprego digno. Elegendo os não bons e muitos indignos do salário monumental que recebem. Salários que esbofeteiam os que sofrem com miserável salário mínimo!
A que pensava ser “GULAPA” e o povo brasileiro deve acordar, lutar, lutar. Basta de aceitar ideias de adestradores. Basta de baixar a cabeça e dar loas aos vis abusadoresda Nação que esmagam os trabalhadores com impostos degradantes e abusivos.
Que a arma de todos não sejam as alabardas medievais. Mas, sim a arma certeira de nossa consciência limpa, esperançosa. Exigimos a volta de nossa dignidade. De cabeça erguida, usemos a arma mais mortífera e real – o VOTO!
Historiógrafa Concursada – Pesquisadora URI
Membro da Academia Erechinense de Letras