Todos nós sabemos que os papéis, de um modo geral, têm como matéria-prima a celulose extraída dos vegetais, especialmente das árvores e, no Brasil, majoritariamente das espécies de eucaliptos e pinus. Outrora, utilizava-se o nativo pinheiro-brasileiro.
A celulose tem uma vasta aplicação. Produzem-se diversos tipos de papéis, guardanapos, fraldas descartáveis, papel higiênico, absorventes e até tecidos. Mas poucos consumidores sabem da presença da celulose de eucaliptos em centenas de tipos variados de produtos.
Contrariamente ao que as “Mulheres do MST” usam como narrativa, a matéria demonstra que nós, humanos, literalmente “comemos eucaliptos”. Você, leitor, sabia?
Na área da alimentação: por ser uma substância não digerida pelos seres humanos, a celulose é aplicada em alimentos dietéticos, fornecendo volume ou massa, como suprimento de fibras, sem valor calórico e sem impactar o sabor. Mesmo sem conseguir metabolizar a celulose, a ingestão dessas fibras é importante para a dieta diária do ser humano. Ela serve como meio de desenvolvimento de bactérias benéficas, contribuindo para o bom funcionamento do intestino e excreção das fezes, além de estimular a produção de saliva e suco gástrico. Como a celulose se liga e se mistura facilmente com a água, muitas vezes é adicionada para aumentar o teor de fibras de bebidas e outros itens líquidos. Ainda, a celulose solúvel é utilizada como espessante, estabilizante e emulsificante, integrando grande número de alimentos industrializados e processados, como: sorvetes, iogurtes, biscoitos, doces, hambúrgueres, queijos, molhos, sopas e até ketchup.
Na área da saúde: a indústria farmacêutica a utiliza para o revestimento de comprimidos e cápsulas de medicamentos. As nanopartículas obtidas da celulose servem como carreadores para a liberação controlada de fármacos. Na medicina, é usada na fabricação de tecidos cirúrgicos, máscaras, curativos inteligentes ou peles artificiais para cicatrização de feridas e queimaduras, acelerando o processo de reconstituição da pele.
Na área dos fármacos: faz parte de diversos princípios ativos dermatológicos e terapêuticos, além de compor o revestimento de comprimidos e cápsulas, e formulações odontológicas, como pastas de dente, gel e soluções orais.
Na indústria de cosméticos: são fabricados diversos produtos de higiene pessoal, maquiagem, cremes e, até preservativos.
Na construção civil: a celulose é utilizada na fabricação de painéis e divisórias de ambientes.
No setor petroquímico e energético: é usada na produção de biocombustível, o etanol celulósico.
Na indústria têxtil: o acetato de celulose — que já teve ampla utilidade na fabricação de filmes fotográficos — é usado na fabricação de tecidos para vestuário, forros, tapetes, guarda-chuvas e outros produtos.
Nas indústrias aeronáutica e automotiva: com propriedades similares ou até superiores às de supermateriais como grafeno e kevlar (usado em roupas à prova de bala), a nanocelulose — de oito a dez vezes mais forte e mais leve que o aço inoxidável — é um material altamente atrativo para essas indústrias. Também é utilizada em dispositivos eletrônicos, por apresentar alto grau de transparência e possibilidade de condução elétrica.
E não para por aí: participa da composição de filtros de cigarros, lentes de contato, telas de LCD, na produção de insumos para vernizes, esmaltes, tintas, óleos essenciais, celofane, filamentos para pneus, filmes fotográficos, entre outros.
Portanto, o “famigerado e discriminado eucalipto” está presente em nossa vida, no nosso dia a dia, por meio da celulose e dos múltiplos usos da madeira plantada. Como já mencionei, o foco é outro: não permitir que o Brasil se torne o maior produtor mundial de madeira e celulose/papel. Quem for contra, que faça greve e não os utilize. É um absurdo saber que temos milhares de antibrasileiros jogando contra o nosso país.