A dança tem um significado profundo para mim. Mais do que uma atividade artística, ela faz parte essencial da minha história e identidade. Comecei a dançar aos sete anos de idade, especificamente no Ballet Clássico, e concluí minha formação em 2009, na Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel. Ao longo dos anos, segui trilhando o caminho da educação: sou formada em Educação Física pela UPF (2006), especialista em Educação Física, Exercício Físico e Treinamento Esportivo pela URI (2011) e também em Gestão Escolar: Direção, Coordenação e Supervisão Educacional pela UFFS (2024). Atualmente, curso o Mestrado Profissional em Educação, na mesma instituição, onde pesquiso sobre a educação através da dança.
A dança é ancestral. Desde os povos mais primitivos, o ser humano já dançava. As pinturas rupestres nas cavernas pré-históricas nos mostram figuras humanas em movimento, representando a dança como linguagem instintiva. Nesses contextos, ela tinha múltiplas finalidades: comunicação, celebração, cura, gratidão, rituais de passagem e pedidos às forças da natureza. A dança, portanto, está presente na origem da vida em sociedade e na própria construção da humanidade.
Como arte, a dança ganhou contornos mais definidos com o teatro grego, que incorporava o canto e a pantomima (representações apenas com gestos e expressões, sem o uso da fala). Essa fusão com outras formas artísticas, como a música, a pintura e a poesia, estruturou o que hoje reconhecemos como linguagem artística da dança.
O Dia Mundial da Dança, celebrado em 29 de abril, foi instituído em 1982 pelo Comitê Internacional da Dança (CID), vinculado à UNESCO. A data homenageia o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727–1810), um dos grandes nomes da história do Ballet, autor da importante obra “Lettres sur la Danse” (“Cartas sobre a Dança”).
Atualmente, trabalho há 15 anos como professora de Ballet no Centro de Belas Artes, onde temos aulas de Ballet Clássico, Jazz e Sapateado Americano. Também oferecemos oficinas de Dança Contemporânea e Ballet Adulto, e mantenho uma turma especial do Projeto Castelinho, que atende crianças em contraturno escolar.
O que me inspira diariamente é perceber que a dança vai muito além da técnica. Ela desenvolve habilidades cognitivas, motoras e emocionais. Proporciona autoconhecimento, criatividade, liberdade de expressão e consciência corporal. Ao dançar, o estudante não apenas reproduz movimentos, mas também sente, cria e reflete — expressa o que muitas vezes não se traduz em palavras.
Muitas pessoas acreditam que os benefícios do Ballet Clássico estão apenas no aspecto físico. Engano. A dança, embalada pela música clássica, tem muitos efeitos. Ela desperta emoções, libera tensões e mobiliza sentimentos profundos. O equilíbrio entre corpo e mente, proporcionado pela prática regular, é evidente — e mais do que isso, dançar é uma forma de manter o espírito jovem e firme diante da vida.
A atuação docente na dança exige muito mais do que domínio técnico. É preciso sensibilidade para acolher as individualidades, respeitar os corpos diversos e compreender que cada aluno carrega em si uma potência única de expressão. O professor de dança deve ser alguém que estimula, escuta e reconhece as possibilidades que cada corpo traz — inclusive aquelas que fogem do padrão.
Por isso, acredito na dança como um caminho educativo potente. Ela ensina, transforma e liberta. E mais do que tudo, nos conecta com o que temos de mais humano.
Ah!... Viva a dança. Sempre.