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Opinião

Sem cultura é só vagar

A cultura abre portas e janelas, quando humanizada, ela está em tudo, a cultura está em nós, literalmente, da fisiologia à fala, porque vivemos a vida orgânica e também a existência cultural. Sem cultura somos corpos errantes sem rumo e sem significado. Sem cultura é só vagar.

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Igor
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

Cultura é vida, sinônimo de bem-estar, felicidade e, também, desenvolvimento econômico. Erechim viverá, nos próximos dias, a 26ª Feira do Livro de Erechim na Praça Prefeito Jayme Lago, com muitas atrações diárias, conhecimento, entretenimento, lançamento de novos livros e escritores.

É um belíssimo evento cultural, aberto ao público, que a cada ano vem se aprimorando, incorporando melhorias, resultado do trabalho de muitas mãos, em prol da população erechinense, e, principalmente, a possibilidade de viver um ambiente saudável, estimulante, construtivo, educacional, que mexe com as emoções de maneira positiva, proporciona às pessoas bons hábitos, novas ideias, percepções refinadas sobre a realidade e o mundo que vivem, incentiva novos comportamentos.

A vida humana está alicerçada na cultura, naquilo que as pessoas acreditam, hábitos, práticas, valores, tudo que é compartilhado pelo grupo social, repassado ao longo dos anos, tudo que é material e imaterial, tudo é cultural. O ser humano de hoje é resultado de milhares de experimentos evolutivos, ambientais e culturais.

Quando os ancestrais humanos (Homo erectus), há milhares de anos, decidiram cozinhar os alimentos e tornar uma prática de sobrevivência, isso mudou tudo, significativamente, para toda espécie, houve implicações até os dias de hoje. Este hábito contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento da inteligência humana e toda a evolução desta espécie, em múltiplas sociedades, ao longo de milhares de anos seguintes, inclusive, o fato de eu estar aqui acolherando, reunindo, estas palavras em significados.     

Valorizar, resgatar, investir em cultura, incentivar programações e manifestações culturais, como a Feira do Livro, nunca é demais em qualquer sociedade, aliás, estas ações são sempre muito bem-vindas, porque, primeiro, criam diversos significados existenciais, contemplando a multiplicidade de percepções humanas sobre a realidade e a vida, isto é, tornam a existência democrática e afeita ao contraditório, diferente, enseja a pluralidade.    

Espaços como a Feira do Livro permitem gestar novos espaços de debate, reflexão, parir críticas, contribuem para aprimorar indivíduo e sociedade, simultaneamente, ressignificar conceitos, fazer do mundo um lugar melhor.  Além disso, projetos culturais desenvolvem a cidade economicamente, geram empregos e renda, novas empresas, viram produtos turísticos.     

A cultura, em Erechim, carece de atenção é a lacuna que ainda precisa ser preenchida para deixar a cidade plena, completa, orgulhosa de si, do que está construindo. E um dos grandes erros culturais, gravíssimos, de Erechim, que jamais poderá ser desfeito, foi a destruição da antiga Igreja Matriz São José. Erro grosseiro, crasso, atentado contra a história, memória, o patrimônio material e imaterial do município, às pessoas que deram origem a cidade que conhecemos hoje. Se o passado não importa, o presente também deve ser ignorado, porque o passado é o presente que foi preservado.

A cultura abre portas e janelas, quando humanizada, ela está em tudo, a cultura está em nós, literalmente, da fisiologia à fala, porque vivemos a vida orgânica e também a existência cultural. Sem cultura somos corpos errantes sem rumo e sem significado. Sem cultura é só vagar.

 

    

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