Durante a 26ª Feira do Livro, houve um momento ímpar com a Palestra do Advogado e Jornalista Salus Loch, sobre o “Holocausto”.
Na ocasião, relembrei da enorme importância da releitura da história, uma vez que não sendo ela uma disciplina com verdades definitivas, fechadas, ela aceita incursões, e revisões de pessoas capacitadas, com instrumentos e metodologias, fidedignos. Em especial de arqueólogos.
Acredito ser, esse remexer um fato ou acontecimento histórico, o ato de fazer História a Contrapelo. Utilizei essa metodologia (não importa se aceita ou não), quando pesquisei nos 19 departamentos do Uruguai, Liceu de Montevidéu, museu do Exército Nacional ou em Jaguarão, D, Pedrito, Pelotas, Rio Grande e no arquivo histórico do Itamarati, Rio de Janeiro, buscando desmistificar a trajetória de um “ANÁTEMA” da História Oriental. Em cada entrevista gravada, eu ouvia do entrevistado: Para quê? Tudo já foi escrito! E, minha auxiliar fiel, minha irmã, devolvia a pergunta: Por que não?
O trabalho duro e penoso foi aplaudido em Banca na PUC, que solicitou publicação feita pela URI, principalmente por eu ter pesquisado documentos inéditos da História gaúcha. Tal livro é “Início da Modernização do Uruguai: Implicações sócio-políticas e econômicas com o Império e o Rio Grande do Sul”. Foi vitória da História escrita a contrapelo.
Historiadores ou alguns que se intitulam historiadores, por vezes criam narrativas ou escolhem seus objetos históricos a seu bel prazer, criando-se uma meia verdade que se fossiliza em verdade.
As pesquisas e visitas a campos de extermínio realizadas por Salus, cavocam a terra da história não deixando que sobre ela cresçam inverdades ou o que é bem pior, que o esquecimento e o descaso permitam que brotem novos edifícios da barbárie humana.
Compreendo profundamente e louvo o trabalho de Salus e sei senti-lo ao lembrar de minha ida a Varsóvia na Polônia, para participar do 50º Congresso Internacional de Americanistas, que estudaram a história Polonesa. Minha inscrição foi a de número 3507, mostrando a magnitude do Congresso, onde apresentei meu livro no idioma espanhol. Tal fato está nos anais do Congresso. Recebi grátis, uma semana de hotel em Varsóvia, por intermediação de Nilton e Vanda Groch. Igualmente por eles, ao fim do Congresso recebi acomodações por mais uma semana em uma Congregação Religiosa: Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria. Com irmã Fabiúla visitei os locais infames de tortura nazista em Varsóvia.
Fui após de trem, a Krakóvia onde permaneci por mais uma semana. No segundo dia, com excursão do hotel, onde se hospedavam estudantes do mundo todo, visitei Auschwitz. Chovia. O guia só falava os idiomas russo e húngaro. Porém eu já havia lecionado a História do Nazi – fascismo e lera dezenas de autores. A visão dantesca dos rolos de tecido feitos com cabelos humanos, as vitrines com calçados, objetos pessoais, me abalaram tremendamente. A imagem de centenas de corpos nus, agarrados uns nos outros, vomitando sangue, dentro das salas de “banho”, se descortinou, com quase realidade, diante de mim, ao ler o nome do conteúdo de uma lata: ZY-KLON-B. O gás mortal. Fomos a seguir ao campo de Bierkenau. O horror sofrido estava ali, como imanência eterna.
Dois dias após, contratei nova excursão para os mesmos locais, para senti-los com menor desespero. Então com guia de idioma francês.
Salus luta contra o esquecimento. Eu, o acompanho.
Outros holocaustos acontecem agora, diante da humanidade. A indiferença parece ser a marca feita a ferro, em especial em parte de uma juventude que se orgulha em fazer saudações com símbolos do mal. Que se orgulha em tatuar a cruz gamada em seu corpo, como se a amaldiçoada suástica fosse um símbolo criado pelo nazismo. Que ignorância a deles!
Quando de nossa visita ao TOPKAPI, na Turquia, vi em seu museu objetos e utensílios dos Hititas. Ali aprendi que a suástica era usada por aquele povo, não para assassinar, mas com outra finalidade que não tive tempo, então de pesquisar.
A História, minha grande mestra, sempre surpreendendo-me e ensinando-me. Aprender, reavaliar, reaprender! Crescer em Humanidade!