Uma pessoa me falou dia destes que estava há tanto tempo no fundo do poço que já fazia morada.
Quanto tempo é necessário no fundo do poço para se aprender a lição, ou para se fortalecer e impulsionar a saída?
Sempre digo e repito que todo patamar vira platô, e platô, inevitavelmente, vira penhasco. É da natureza dos ciclos. A estabilidade, quando prolongada demais, se converte em estagnação. E o que não se move, cai, ou seja, sucesso prolongando estagnação também é fundo do poço.
Mas eis uma pergunta que me persegue: quanto tempo é necessário no fundo do poço?
Até porque cair faz parte. É humano, é empresarial, é estrutural.
O que se segue à queda, porém, é o que define legados. A reconstrução. A reinvenção. A busca por um novo patamar.
Mas quanto tempo leva para que esse novo patamar seja verdadeiramente sólido? Um ano? Dois? Cinco? É possível medir em trimestres, em metas batidas, em painéis de indicadores? Ou será que a solidez nasce primeiro na certeza do próximo passo, nos valores redescobertos, na humildade de aprender novamente?
Talvez o tempo no fundo do poço seja o tempo necessário para se conseguir olhar para cima com propósito e não com desespero.
Talvez leve apenas o tempo de reconstruir dos alicerces da rampa, mas também os recursos psicológicos, da confiança, dos caminhos e da estratégia.
E talvez, só talvez, o novo passo só seja possível quando paramos de correr atrás de “ter tudo pronto” e aceitamos que o próximo salto se constrói ainda com os pés na lama, mas com a visão já mirando o céu. como pequenas asas começando a dar comichão nas costas.
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