Incentivada pelas bonitas reportagens veiculadas em nossas emissoras de TV pelos 150 anos da chegada dos imigrantes italianos ao RS, também me animei a dar um pequeno depoimento, contando alguns fatos da minha família italiana.
Sou descendente desses imigrantes pelos lados paternos e maternos.
Pelo lado paterno (Garbin) tive direito à cidadania italiana, como meus familiares. Minha nonna Garbin, Giovana Covolan, aqui chegou com apenas 2 anos de idade.
Pelo lado materno, foi meu bisavô Paolo Rossato que aqui chegou, recém casado com Rachelle Massegnani.
Partiram de Valdagno, embarcando no porto de Gênova. Instalaram-se numa pequena vila – São Marcos – entre Caxias e Porto Alegre.
Dedicaram-se à agricultura, mais precisamente na área vinícola, plantando videiras, colhendo as uvas e produzindo vinho. Aliás, até hoje existe esta vinícola, na qual um neto do irmão de meu bisavô conserva e produz o vinho "Marconi".
Algumas famílias italianas fizeram parte da minha com casamentos – os Luchesi, Bisol, Vencato, Longo, Garbin, Pilla, Cesa, Germani,...
Com muito carinho conservo um pequeno acervo, com cópias de fotos, documentos e as cartas que meu bisavô Paolo escreveu aos familiares que ficaram na Itália, convidando-os a virem também para o Brasil.
São documentos preciosos já utilizados em estudos realizados por historiadores e pesquisadores – Mário Gardelin e Rovilio Costa, que resultou em uma obra sob o título "Os Povoadores da Colônia Caxias", trabalho que teve o apoio da FUNDAZIONE GIOVANNI AGNELLI da Itália.
Esses "gringos" maravilhosos, corajosos que enfrentaram grandes desafios para a época, deixam-me orgulhosa de ser sua descendente. E serve-me de belo exemplo para seguir em frente.
Em tempo: Uso a palavra gringa, no título, pois em tempos passados, os colonos descendentes dos imigrantes, que se estabeleceram aqui em nossa região, eram assim chamados com uma conotação e adjetivos pejorativos.
Felizmente, agora somos os gringos italianos respeitados e até admirados pela sua história.