Como é possível que o Estado brasileiro seja tão contrário ao próprio povo? E trate o cidadão com tanto desdém, como se fosse uma praga a ser extirpada, algo a ser esmagado e jogado na sarjeta. E não tem nenhum exagero no que está sendo dito, porque a realidade é muito mais cruel.
A estrutura política e econômica do Brasil está destruindo o país, há mais de três décadas, empobrece as famílias, inibe a capacidade de trabalho, torna o país improdutivo, gera desindustrialização, concentra renda e produz escassez para a maioria da população. É uma fábrica de retrocessos, miséria, mortes, e de maneira deliberada e legal.
O maior exemplo, material - reserva total às ideologias, sejam elas quais forem, de direita, esquerda ou suas variantes - , porque, neste raciocínio, elas só atrapalham e servem para desviar o rumo e o foco do que é essencial, e, por isso, elas ficam em casa. O ponto de vista aqui é a realidade nua e crua em que se vive.
A política econômica praticada no Brasil não está nem aí para partidos políticos ou o que as pessoas pensam, e quanto mais ideológicas for a população, melhor para este sistema, porque, enquanto a sociedade discute o sexo dos anjos, nunca se estabelece uma relação causal entre esta política econômica e o subdesenvolvimento e a miséria em que ela mesma vive. Todos trabalham como condenados para não chegar a lugar nenhum.
E o ponto central é saber se população consegue, trabalhando, comprar uma casa para morar, ter acesso à saúde, educação, creche, comida, lazer, cultura, transporte, salário digno, um mínimo de bem-estar. Estes são os pontos materiais a que me refiro, para não ficar preso em redomas ideológicas, que nada contribuem para fazer o país avançar e só servem para manipular as pessoas, até mesmo as mais instruídas.
E voltando ao assunto, uma das ferramentas utilizadas para corromper o brasileiro, e inviabilizar tudo isso acima, e é expressão máxima da política econômica, são os juros escorchantes, abusivos, inconstitucionais, praticados neste país, que mostram na prática, com todas as letras, o quanto um Estado pode ser ineficiente e contrário à própria população, ao desenvolvimento humano e econômico. O Brasil é uma ode ao desperdício e a raiz deste problema começa na política econômica, mas todo mundo está careca de saber e nada se faz. Os juros elevados inviabilizam a produção de alimentos, indústria, comércio, renda das famílias, nenhum setor escapa e todos pagam muito caro por nada. Lógica, completamente, insana.
A discussão política, normalmente, é refém de questões político-partidárias, que ao iniciar, logo declina para avaliações e agressões pessoais. É um prato cheio para problematizar assuntos que nunca tocam, sequer beliscam, a estrutura econômica do país. A conversa nem começa e já vira briga e só serve para afirmar o ponto de vista ideológico dos interlocutores, indiferentes ao mundo real. E a cada palavra, com o auxílio das redes sociais, indo, cada vez mais, para o breu da ignorância, se distanciado de qualquer facho, fagulha de luz de racionalidade.
O mais intrigante é que quando se fala em dinheiro e se desnuda o assunto de qualquer viés político-ideológico, focando exclusivamente na questão pecuniária, a sua importância para o crescimento econômico do Brasil e o bem-estar das famílias brasileiras, aí todo mundo parece dar de ombros ou olhar de lado. Agora, basta mencionar o partido tal ou tal na conversa, o semblante se enche de argumentos, certezas e, num piscar de olhos, todo mundo se posiciona nas trincheiras para instaurar a guerra ideológica, vazia, superficial, alienante. Os brasileiros precisam de mais dinheiro para gastar, comer, comprar, e fazer a economia funcionar. Sem dinheiro nas mãos das famílias brasileiras não tem economia.
O gasto das famílias brasileiras é um dos principais componentes na formação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em 2024, este consumo respondeu por 63,8% do PIB. É a parcela mais significativa da demanda interna e o principal motor do crescimento econômico completamente ignorado pela política econômica do país há mais de 30 anos. Como isso é possível? Porque alguns poucos ganham com esta situação, mas em detrimento de todo um país, com a conivência de quem decide politicamente.
A estrutura econômica força o brasileiro a viver uma vida de privações, tendo que despender muito esforço para ter um mínimo de qualidade de vida. E se a pessoa não passar a vida inteira se superando vai estar condenada a uma existência medíocre, porque as leis, os juros, a alta carga tributária, custo de vida, a economia sem dinheiro que não multiplica riqueza só concentra, enfim, vive-se num país que, diariamente, boicota, corrompe, lesa, famílias, empresas, negócios, arruína a vida das pessoas, tudo com amparo da lei.
E o último nível desta postura ignóbil, vil, baixa, é quando o Estado, por meio dos representantes, vem a público e, covardemente, atribui a responsabilidade de todos os problemas do país, falta de dinheiro, à população, trabalhadores, aposentados, professores, agricultores, empresários. Nada pode ser mais ignominioso e destrutivo. É aí que o cidadão sabe que está largado às moscas e que a vida dele não vale nada.