A inteligência é um belo presente de Deus. Penso, hoje, em como ela era arguta, veloz, ativa durante minha infância e principalmente na bela juventude.
No primeiro grau, no colégio das freiras, minhas notas eram uma escadinha de dez, dez. E, eu pouco necessitava debruçar-me nos livros. Eu amava tanto ler, saber, descobrir, que tudo fluía como um sereno rio em minha mente. Quando no final do ano, se eu não obtivesse o primeiro lugar, sofria como um cão caído da mudança. O segundo lugar era uma ofensa! Em especial por que, as freiras confeccionavam sempre para o primeiro lugar, lindo presépio de papel colorido, o que era o único sinal de Natal em minha casa, onde nunca houvera uma árvore de Natal ou enfeites natalinos, objetos caros para o pequeno salário do meu querido pai.
Meus cursos em todo o país, na Espanha e Polônia, ainda continham resquícios da antiga ótima inteligência. Meu trabalho de Mestrado, foi considerado pelo Dr. Earle Macarthy, meu orientador, como “brilhante”.
Porém, o brilho extinguiu-se. Não consigo mais compreender nada, de tudo que vejo, ouço, avalio. Sou hoje uma ignorante!! Não compreendo a nulidade em que se transformou o ensino brasileiro, que adestrou mentes que poderiam ser magníficas. Não entendo a publicação de livros absurdos, de peças teatrais de um nível inacreditável. De novelas de extrema indecência.
Não entendo como conseguimos aceitar bovinamente as tentativas de esmigalhar nosso belo português. Não compreendo, não compreendo um povo transformado em mendigo, escolhendo viver de esmolas, contrariando a dignidade que dá ao ser humano ter um trabalho. Nunca vou entender a perda de respeito, para a valorização do patrimônio material e imaterial. Não admito a inversão da nossa escala axiológica. Não entendo as emoções que brotam em alguns humanos, que assustam, e que nos tornam ridículos ao exigirmos bondade, compreensão, justiça, caridade. Não entendo o constante dizer “amém” ao mau, ao indigno. Não compreendo a audiência dada aos divulgadores de mentiras, que camuflam roubalheiras, corrupção, fraudes, gastos nababescos. Não entendo essas tributações que massacram a todos. Não compreendo esse sono caótico que envolve a maioria da população e que a torna zumbis, em loas aos que nos espezinham, aos que enriquecem com o nosso suor. Não compreendo como não aprendemos a votar. Não compreendo!
Estou ignorante?