Desde pequeno, quando os mais velhos se referiam ao motivo de este ou aquele político não se eleger na minha querida Erechim (minha cidade natal) para cargos estaduais ou federais, diziam: “santo de casa não faz milagre”. E até hoje ainda ouço muito esse ditado, como se fosse lei. Mas, pensando bem, talvez ele só esteja mal interpretado.
Porque, cá entre nós, milagre mesmo é achar que um deputado de outra região, com outras prioridades e compromissos com seu berço eleitoral, vai acordar inspirado para defender uma estrada em uma cidade distante da sua terra natal, uma escola naquele bairro que visitou apenas uma vez, ou o hospital que só conheceu levado por algum cabo eleitoral muito bem pago. Milagre é esperar que ele conheça o nome do seu município — e, se conhecer, que saiba apontar no mapa.
A política, gostemos ou não, funciona com proximidade. Quem está perto, vê. Quem vê, sente. E quem sente, luta. Por isso, apoiar candidaturas da própria região é mais do que um ato de bairrismo — é um gesto de inteligência política e, principalmente, de amor à sua terra, à sua família e aos seus.
Deputado é como um megafone: amplifica a voz de quem o elegeu. Se não for da terra, vai gritar por outra. E, no jogo por emendas, investimentos e atenção do governo, quem não tem voz… não tem vez.
Quantas vezes já ouvimos: “essa obra só saiu porque o deputado tal trouxe a emenda”? Pois é. E quantas vezes vimos nossa cidade esquecida no orçamento, enquanto recursos foram para cidades com representantes articulados?
O que falta, talvez, seja trocar o ditado que já cansei de ouvir. E se, em vez de “santo de casa não faz milagre”, disséssemos: “milagre mesmo é votar em quem não conhece tua dor e esperar que ele cure teu problema”?
Devemos valorizar nossas lideranças. Incentivar quem é da região, conhece os caminhos, fala a língua do povo e tem motivos de sobra para lutar pela nossa terra.
Sabemos que muito já se fala em candidaturas para o próximo ano, e fica aqui um alerta: que já se pense no próximo voto — e, por que não, já começar a trabalhar por lideranças e fortalecer o seu município. Porque, no fim das contas, quem ama sua cidade… vota por ela.