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Opinião

Memórias de viagem

Países Escandinavos – Noruega – Cidades Norueguesas – Polo Norte – 6

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A Noruega é o país da beleza, da tranquilidade, do silêncio e da educação. Já o visitei por diversas vezes. O silêncio impressiona. Não só nos povoados, mas nas cidades se ouve apenas o ruído da circulação do trânsito. Só no interior das casas a comunicação é bem permitida. Os noruegueses, como todos os escandinavos, parecem baixar o tom da voz nos lugares públicos. Nos ônibus ou trens não se deve dirigir a palavra a desconhecidos. Seria considerado grosseiro. Os habitantes do interior ou das cidades olham o estrangeiro com certa reserva.

Hábitos e costumes

Os escandinavos, quando sentem amizade por alguém, o recebem de braços abertos. Gostam de convidar velhos e novos amigos para visita em suas casas. Mas, quando convidado, deve chegar pontualmente no horário combinado e levar flores ou uma pequena lembrança para a dona da casa – flores, uma garrafa de vinho ou chocolates. Num jantar, aguardar que o dono da casa erga seu copo de vinho, olhando o convidado nos olhos, antes de levar o copo aos lábios. São educados com um espírito de independência e autonomia. Respeitam os direitos e a liberdade do próximo. Ardentes defensores dos direitos humanos. São valores que aprendem na família e na escola. Sendo que o Nobel da Paz, recebido na Suécia, é um dos mais importantes prêmios do mundo.

Cidades mais importantes da Noruega

Oslo é a capital. Berguen, já mencionada, é a segunda mais importante. Uma importante rodovia, uma obra de arte, liga Berguen a Stavanger: Em 24 quilômetros são 24 pontes e 12 túneis. Segue: Stavanger é cidade portuária localizada ao sul do país. Nela há uma via de belas casas de madeira coloridas, que muitas vezes incendiaram. Hoje, muitas mantém a arquitetura externa, mas dentro são modernas e confortáveis como hotéis, lojas e restaurantes. O petróleo é muito importante na região. Possui uma grande indústria de conservas, principalmente de molhos e de sardinha. Nós a visitamos e provamos. Gostosos, mas com tempero diferente do brasileiro. Geiranger: localizada numa curva do mais importante fiorde com o mesmo nome. Vista do alto, parece uma concentração de casinhas de contos de fadas. Alesund: é um arquipélago de várias ilhas que avançam pelo Oceano Atlântico. Foi um pequeno porto, mas hoje, pontes e túneis ligam as ilhas. Não se percebe a passagem de um lugar a outro. Muitas casas de madeira, com cores vibrantes, ladeiam as ilhas. A beleza está em subir o Monte Aksala com mais de 400 degraus para observar, mas atrás do monte, há uma estrada para carros. 

Um pouco mais de Alesund

Ela é a Capital do Bacalhau e a cidade mais bonita da Noruega. Viajando pelos fiordes, antes de chegar a Alesund, o interessante é desviar um pouco e ir com destino à cidade de Trollstigen. O roteiro de 106 quilômetros de curvas sinuosas dá a perfeita dimensão da convivência harmoniosa que os noruegueses mantêm com a natureza. Um magnífico trabalho de engenheiros e construtores, contorna montanhas escarpadas e vales. Ao todo são 11 curvas acentuadas que serpenteiam as encostas, lembrando, em escala muito maior, a rodovia da Serra do Rio do Rastro, no sul catarinense.

Chegando a Alesund, encontra-se o município portuário, construído em uma fileira de ilhas. Também é o paraíso dos ornitólogos. estes, do mundo inteiro, gostam de uma reserva situada a oeste do arquipélago. Milhares de pássaros fazem seus ninhos nas falésias, no período de reprodução. Muitas espécies se refugiam nessa reserva. As gaivotas atraem falcões e águias, para as quais elas são presas fáceis.

Tronso

A pronúncia não é como se está lendo, pois o último “o” é cortado, esse sinal não existe para nós. Uma senhora, numa loja, ensinou-me a pronúncia: não é muito fácil. A cidade de Tronso é considerada a capital mundial da aurora boreal. Este fenômeno natural, causado pela conjunção dos raios solares com gases da atmosfera, só pode ser visto em altas latitudes. Em Tronso, encontra-se a área ideal para ver o espetáculo de luzes e cores. A aurora boreal, nesse local pode ser vista de outubro a abril. Meses frios. A cidade está a 1 800 quilômetros da capital Oslo e é a entrada para o Círculo Polar Ártico. Cidade fria tendo 15 graus por temperatura média. Frio intenso. Suas casas de madeira e brancas dão um clima de aconchego. A bela Catedral do Ártico possui a forma de um iceberg. Toda de madeiras claras e permite que entre, quando possível, muita iluminação natural, pois seu pé direito é muito alto. Seus vitrais são claros o que ajuda na iluminação.

Universidade de Tronso

Realmente, o saber encontra o gelo. Ela é a menor e a mais recente da Noruega, mas também a mais original. Localizada no Círculo Polar Ártico, pois este inicia na cidade. Dedica-se essencialmente a disciplinas relacionadas ao meio ambiente polar: auroras boreais e espaço, biotecnologias, sociedades multiculturais, medicina social, ecologia e oceanografia. Possui programas de intercâmbio com universidades do mundo inteiro, mais de cem nacionalidades estão representadas. Esse espírito cosmopolita do campus universitário é único nessas latitudes boreais, onde o sol desaparece dois meses durante o inverno e no verão brilha à meia-noite.

Jantar Viking

Era uma noite muito fria, quando nos dirigimos para o interior da cidade de Tronso numa aldeia viking. Uma vila com diversas cabanas de madeira e pouca iluminação. Num grande salão, iluminado por tochas e uma fogueira ao centro, aconteceu o jantar. Os habitantes vestidos com roupas de couro e peles nos recebiam afavelmente, falando inglês. As mesas eram compridas de madeira tosca, assim como os bancos forrados com pele de carneiro. O mestre de cerimônia dava as ordens e um grupo de músicos com tambores e outros instrumentos rústicos animava a festa. A decoração lembrava barcos e instrumentos de navegação. O jantar iniciou com a colocação de pratos servidos nas mesas: um pão escuro, assado junto com manteiga e requeijão, para mim, o melhor da noite. Seguiram com carne ovina e peixes assados, mas com temperos muito estranhos: mel fermentado, sementes de mostarda e vinagre. A sobremesa ficou num creme com leite e frutas vermelhas. Durante o jantar, o mestre convidava para alguns passos de dança ao redor do fogo. O ambiente estava muito animado. Após, nos levaram às “lojinhas” com produtos muito interessantes como mantas e meias tecidas, pelas mulheres, com lã cardada em tear manual. 

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