21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Um olhar paterno em meio a teorias, práticas e à presença ativa

teste
Marcelo Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

Sempre quis ser participativo na vida dos meus filhos. Estar presente em cada momento, dos mais simples aos mais significativos, sempre foi meu propósito.

Desde antes do nascimento deles, buscava informações, observava e conversava com outros pais. Li muito sobre a criação de gêmeos, pois meu maior medo era cair na armadilha do “filho preferido”, ainda mais depois de descobrirmos que enfrentaríamos muitos desafios e idas ao hospital com o Gael.

No fim das contas, os problemas foram outros e precisei aprender a ser pai de um filho enquanto vivia o luto pelo outro, sem culpa nem excessos. Desde então, tento equilibrar teoria e prática, e cumprir meu propósito da melhor maneira.

Agora, nesse período escolar, não é diferente. Quero participar, vivenciar, conhecer tudo e, haja fôlego. Acredito que minha cabeça deu um nó com tanta informação. Faço parte da Associação de Pais e Mestres, trabalho importante, que requer dedicação. Poucos pais se envolvem, o que torna tudo mais intenso. No entanto, essa ponte entre escola e família é necessária. Por isso, participei de um ciclo de palestras semanais sobre pais, filhos e educação, fundamental para meu crescimento pessoal e como pai. Aprendi muito. Reforcei o valor da presença, não só física, mas ativa e até comentei sobre isso na última coluna. Porém, algo me fez refletir mais do que as palestras e aquele nó da minha cabeça foi se desfazendo: a pergunta na ficha de avaliação: “Você gostaria de participar da Escola de Pais?”

Durante os encontros, falamos bastante sobre a presença ativa. E essa simples pergunta me levou a questionar: “De que adianta tanta teoria se não terei com quem aplicá-la?” A resposta impulsiva seria sim. Gostaria de aprender mais, de contribuir. No entanto, participar desse movimento exige dedicação e presença, e isso me fez pensar que, para estar lá, eu precisaria estar menos aqui. E aqui, neste caso, é com meu filho. Ele tem apenas três anos, ainda precisa da presença do pai e, espero que, mesmo quando não precisar mais, ainda queira tê-lo por perto. Quero estar ao lado dele, construir memórias que nem o tempo e nem a vida apaguem.

A Escola de Pais é um espaço riquíssimo. Sou grato por tudo que aprendi ali. Todo pai ou futuro pai deve participar das palestras. Mas, neste momento, preciso priorizar a prática de tanta teoria: ser pai. Quem sabe, daqui a alguns anos, eu me junte a essa equipe incrível.

Sigo na Associação – e pretendo permanecer até que meu filho conclua o Ensino Médio –, dedicando-me a fazer o melhor possível. Mas sigo lembrando a mim mesmo que estou lá pelo meu filho, e não que tenho um filho para justificar estar lá. A prioridade é ele. Entender isso me trouxe paz. Percebi que, para estar inteiro em qualquer espaço, preciso primeiro estar inteiro com quem mais precisa de mim. Afinal, de que serve tanta teoria se ela não se transforma em prática no lugar que mais importa? Uma simples pergunta me fez enxergar que o conhecimento é valioso, mas, sem um espaço onde possa ser vivido, perde o sentido. Então, desisti de querer abraçar o mundo. Quero apenas abraçar quem mais importa.

Assim, sigo mais leve no meu caminho de aprendizados, buscando unir teoria e prática para formar um ser humano capaz de gerir suas emoções, seus comportamentos e de contribuir positivamente para a sociedade, com ética, sabedoria, amor e empatia. E, para deixar claro, isso não é uma crítica, muito pelo contrário. É uma constatação de todo o aprendizado vivido e de que, depois de ressignificar algumas questões, me sinto mais inteiro para continuar evoluindo, participando desses ambientes e contribuindo com a escola e a sociedade, sem perder meu espaço na vida do meu filho. Quero estar presente em tudo o que me torna um pai e um ser humano melhor. Mas o melhor lugar para isso é onde o meu filho está. Ele é o melhor professor da minha paternidade e da minha humanidade.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;