Professora Ana Lucia Carvalho Morsch – Doutora em Ciências da Saúde - Laboratório de Fisiologia e Bioquímica do Exercício - Unesc
Mestre em Ciências da Saúde - Departamento de Pneumologia - EPM - Unifesp
Professora do curso de Fisioterapia - URI - Erechim
Com a chegada do inverno no sul do Brasil, os desafios respiratórios tornam-se ainda mais intensos, especialmente para quem convive com doenças respiratórias crônicas, como a asma. Coincidentemente ou estrategicamente, o Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado do em 21 de junho, marca o início dessa estação e nos convida à reflexão sobre a importância da prevenção e do manejo adequado da doença, principalmente nos períodos de baixas temperaturas. Em 2023 cerca de 2 mil óbitos por asma poderiam ser evitados no Brasil de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
A asma é uma condição crônica caracterizada pela inflamação das vias aéreas, que provoca sintomas como falta de ar, chiado, aperto no peito e tosse. Segundo os consensos das sociedades internacionais GINA (Global Initiative for Asthma), ATS (American Thoracic Society) e ERS (European Respiratory Society), a maioria das hospitalizações e atendimentos de emergência por asma poderia ser evitada com medidas preventivas adequadas. Ainda assim, o uso incorreto de medicamentos inaláveis (como bombinhas e espaçadores) e a falta de seguimento clínico contínuo permanecem entre os principais fatores de descompensação da doença.
Como profissional da área da saúde, ressalto a importância de abordar a asma não apenas como uma condição médica, mas também como um problema de educação em saúde. A mudança de estação impõe novos desafios: o ar mais frio e seco, o aumento da permanência em ambientes fechados e a maior circulação de vírus respiratórios contribuem para a exacerbação dos sintomas e o risco de crises graves.
Diante desse cenário, o papel da fisioterapia respiratória se torna fundamental. Nos períodos intercrise, ou seja, fora das fases agudas, o foco deve ser o controle da inflamação, a otimização da função pulmonar e a educação do paciente sobre a sua condição. É nesse momento que a reabilitação pulmonar surge como uma poderosa aliada: por meio de exercícios respiratórios, atividades físicas adaptadas e orientação contínua, busca-se melhorar a capacidade física e funcional do paciente, contribuindo para a redução de sintomas, melhora da qualidade de vida e prevenção de internações.
A fisioterapia também tem um papel essencial na educação da comunidade, promovendo ações que alertem sobre os fatores que desencadeiam crises, como poeira doméstica, mofo, fumaça, perfumes fortes e mudanças bruscas de temperatura. Conhecer os gatilhos e saber evitá-los é parte do tratamento. A orientação correta sobre o uso dos medicamentos, especialmente os de manutenção (corticosteroides inalados) e os de alívio rápido (broncodilatadores), deve ser uma prioridade nas consultas e encontros educativos.
Segundo o GINA, o uso inadequado de dispositivos de inalação é responsável por até 70% dos casos de asma fora de controle. Por isso, mais do que prescrever, é preciso ensinar o uso correto desses dispositivos, tarefa que também cabe ao fisioterapeuta em seu papel educacional e preventivo.
Neste inverno, nosso convite à população é claro: procure orientação, mantenha o acompanhamento regular da asma e invista em educação em saúde como forma de prevenir crises e complicações. O frio pode ser desafiador para quem tem asma, mas com o cuidado certo, é possível manter a qualidade de vida em qualquer estação do ano.