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Opinião

Videogames não criam assassinos. Estudos já provaram o contrário

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Sabrina Delfin Dias
Por Sabrina Delfin Dias - Graduanda de Filosofia na UFFS, graduanda de Artes Visuais na Uninter, formada em cursos técnicos de História da Arte e Desenho e Expressão Visual no Belas Artes
Foto Sabrina Delfin Dias

Por décadas, os videogames foram usados como bode expiatório por setores conservadores da sociedade sempre que um caso de violência extrema tomava as manchetes. Um massacre em uma escola? Culpem os jogos. Um adolescente com comportamento agressivo? Deve ser o Call of Duty. Essa narrativa, embora conveniente, é perigosa, simplista e acima de tudo, falsa.

Estudos científicos sérios já desmentiram, diversas vezes, a ideia de que jogos violentos levam a comportamentos agressivos. Um exemplo disso é uma pesquisa publicada em 2019 na revista Royal Society Open Science, intitulada Violent video game engagement is not associated with adolescents' aggressive behaviour: evidence from a registered report, conduzida por Andrew K. Przybylski e Netta Weinstein. O estudo analisou mais de mil adolescentes entre 14 e 15 anos e não encontrou nenhuma correlação significativa entre o tempo dedicado a videogames violentos e comportamentos agressivos na vida real. Reforçando ainda mais essa visão, a American Psychological Association (APA) publicou em 2020 um artigo intitulado APA Reaffirms Position on Violent Video Games and Violent Behavior, reafirmando que não há evidências suficientes para sustentar a ideia de que esses jogos incentivam a violência:

“A violência é um problema social complexo que provavelmente decorre de muitos fatores que merecem a atenção de pesquisadores, formuladores de políticas e do público”, disse a presidente da APA, Sandra L. Shullman, PhD.

“Atribuir violência aos videogames não tem fundamento científico e desvia a atenção de outros fatores, como o histórico de violência, que sabemos, a partir de pesquisas, ser um importante preditor de violência futura.”

E, sejamos honestos, se a relação fosse direta, teríamos uma crise global de violência causada por jogos. GTA, Fortnite e Call of Duty estão entre os jogos mais vendidos do mundo. Milhões de jovens, e adultos, jogam diariamente. No entanto, a vasta maioria jamais irá cometer um crime. O que isso nos mostra? Que jogos não criam assassinos. Assassinos são criados por contextos sociais complexos: exclusão, negligência, saúde mental negligenciada, acesso a armas, discursos de ódio normalizados, entre outros fatores.

Além disso, é curioso como raramente vemos filmes violentos, livros de suspense ou até esportes de combate sendo demonizados da mesma forma. A diferença está na falta de conhecimento (ou má-fé) de quem ainda trata videogames como um passatempo marginal, uma espécie de "ameaça moderna" que precisa ser contida. Quando, na verdade, estamos falando de uma forma legítima de arte, cultura e expressão.

Videogames não alienam, eles conectam. Jogadores do mundo todo cooperam, criam comunidades, enfrentam desafios em conjunto. Muitos jogos também exploram temas filosóficos, éticos e emocionais profundos. The Last of Us, Undertale, Red Dead Redemption, Hellblade, Death Stranding... todos eles nos fazem pensar sobre escolhas, moralidade, empatia, dor, solidão e existência.

Colocam a culpa nos videogames porque não querem encarar a própria culpa. Não querem ver a verdade de uma sociedade desigual, violenta e hipócrita.

É hora de deixarmos de lado o preconceito e encararmos a realidade: O problema nunca foi o controle na mão, mas o descontrole do mundo fora da tela. Enquanto insistirmos em culpar pixels por problemas sociais estruturais, continuaremos apagando o debate real sobre violência, saúde mental, políticas públicas e educação.

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