Hoje, 15 de julho, é celebrado no Brasil, o Dia do Homem. Tal como o Dia da Mulher, o Dia do Homem deve chamar atenção para o essencial: a vida. Assim como o 8 de março não se resume a flores e meia dúzia de palavras bonitas, o 15 de julho não deve servir para inflar egos. Não é dia de palmas ou presentes, mas de reflexão sobre saúde física e mental, e sobre comportamentos tóxicos, muitos deles violentos, que ainda moldam a sociedade.
Já escrevi aqui outras vezes que “combinado não sai caro”. Isso vale para tudo. Se, na sua casa, o homem é o provedor e a mulher desempenha outros papéis - ou o contrário -, está tudo bem, desde que haja respeito, equilíbrio e liberdade. O problema surge quando não há acordo, quando há repressão, humilhação, abuso e violência.
Nós, homens, fomos ensinados a não chorar, evitar o rosa, bonecas, panelas e tudo o que era dito como “coisas de menina”, como se ser menina fosse sinônimo de fraqueza. Santa ingenuidade. Fomos criados assim, e é nosso dever romper esse ciclo.
No dia em que soube da morte do meu filho, o desespero tomou conta de mim, mas me disseram que eu precisava ser forte pela minha esposa e meu outro filho, como se eu não tivesse o direito ao luto. Me fechei em copas. Só quando ouvi que o que ela precisava era de um homem de verdade, que sente, chora, sofre, é que entendi: eu precisava ser real. Me despir dos estereótipos e sentir.
Em pleno 2025, temos inteligência artificial, cirurgias robóticas e comunicação global. Mas ainda há quem se preocupe com o fato de um menino usar manteiga de cacau, como se isso ameaçasse sua masculinidade. Há quem ainda mate por não saber ouvir um não. Há quem ainda violente mulheres por se achar superior.
Precisamos parar. Observar nossos atos. Que tipo de crianças estamos criando? O machismo estrutural é herança de séculos. Muito do que vivemos hoje, já era errado há cem, duzentos, mil anos, e continua sendo agora. Não podemos mais justificar o injustificável. A masculinidade tóxica mata. Mata mulheres e aprisiona homens em padrões que os impedem de sentir, de se expressar e de cuidar. Essa data é um alerta, não uma comemoração.
Desconstruir dói. Eu já reproduzi muito do que hoje combato. Desde que soube que seria pai, reforcei esse compromisso comigo mesmo. Preciso ser diferente. Por mim, por ele e pelas próximas gerações.
Meu filho ama cozinhar e brincar de carrinhos. Gosta de super-heróis e de princesas. Escolheu um carrinho rosa da Monster High e foi esse que levou para casa e tudo bem. Brinquedos e cores não têm gênero. Ele já me viu chorar e eu expliquei o porquê e deixei claro que está tudo bem, homens também choram. Ele já me viu perdido, frustrado e sem saber muito bem o que fazer e eu expliquei que faz parte da nossa vida. O que devemos fazer é entender e resolver os problemas e seguir em frente. Isso não nos faz menos homens, apenas nos torna mais humanos e emocionalmente mais fortes.
Chega de violência contra as mulheres e de criar meninos para a brutalidade e meninas para o silêncio. Que os meninos sejam livres para sentir, e que as meninas possam viver sem medo. Que essa data não celebre homens, mas transforme consciências, que quebre silêncios e repense padrões.