Viajar não é pra todo mundo, no Brasil, pelo menos, não para a maioria da população. É preciso ter um bom poder aquisitivo, bem acima da média, isso para conhecer o próprio país em que se vive e, mais ainda, o mundo. Assim, o fundamental é ter rendimento maior do que aquele necessário para sobreviver e pagar as contas do mês se quiser se aventurar por aí.
Bem, também não dá pra esquecer da vontade, ela é necessária, porque tem quem não goste de viajar. Com o excedente em mãos, aí sim, é possível romper as amarras do cotidiano, sair, se desligar da rotina diária, que industrializa a vontade e a existência, e imergir noutros mundos.
Mas o assunto deste artigo não é sobre turismo, e sim, sobre o que se quer ver quando se tem condições para viajar e conhecer o que há lá fora, em outras cidades, estados e países.
Na minha programação seria importante conhecer o que tem de mais característico de cada local na sua formação histórica, cultural, arquitetônica, geográfica, culinária, natureza, experimentando o que há de mais próprio destes lugares, o que é dali.
No Brasil, ainda pretendo conhecer o país que eu vivo, tem muitas coisas que quero ver, como o Museu Nacional, Museu Imperial, casa de Santos Dumont, a Amazônia, Minas Gerais, para citar alguns lugares.
Se fosse viajar para Grécia, por exemplo, conheceria as ruínas das cidades-estados gregas, Acrópole, estátuas milenares, as escadarias, ruas, praças públicas, onde Sócrates sentou para dialogar, filosofar com os jovens, questionar a realidade, e foi condenado por “corromper” a juventude da época, segundo o veredito, que ele respeitou, e, por isso, também, perdeu a vida, com um cálice de cicuta.
Só uma observação, eu nunca fui ao velho mundo e não sei se as escadarias, ruas, praças, o mercado, atenienses que Sócrates filosofou estão lá. Se estiverem que continuem preservadas, caso um dia eu possa vê-las. Para o caso de um dia ter coragem de entrar num avião e cruzar os mares – ida e volta.
Bem, estava num outro raciocínio, aí mudei, voltei, enfim, espero não ser consumido ou me entregar à rotina para quem sabe, pelo menos, conhecer um pouco mais da cultura e do lugar onde vivo, este país chamado Brasil.
Enfim, viajar é ter a possibilidade de vivenciar que há vida depois da esquina e do bairro onde se vive, que a existência terrena pode ser mais leve, plena, e não simplesmente a sucessão mecânica de acordar, trabalhar e dormir, para de novo levantar, engolir a comida, devolvê-la ao mundo, e, novamente, trabalhar e depois morrer.