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Opinião

Sem rumo e nenhum plano

O Alto Uruguai atende a qualquer critério razoável para receber estes investimentos, simplesmente assim, como parte de um todo que contribui para manter este país em pé, vivo e produtivo. Isso sem contar todos os bilhões de reais que já foram enviados pela região em impostos, ao longo de todos estes anos. A conclusão é simples, o Brasil é reativo, não tem rumo, nenhum plano, é uma ode ao desperdício. O Brasil, como Estado, não está nem aí pros brasileiros.

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Ígor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

Qual é o plano do Brasil? Tem alguma estratégia para os próximos 10, 20, 50 anos que contemple investimentos necessários em áreas prioritárias, como saúde, educação, infraestrutura, moradia e mobilidade? Para ficar no básico.  O que é possível esperar do Estado brasileiro nas décadas seguintes? Nada? Mais concentração de riqueza e pouquíssimos investimentos no país? Mais troça e escárnio com a população? O brasileiro é um excluído em seu próprio país. Não importa o quanto grite, não tem ninguém para ouvi-lo.   

Não se trata de fazer média, mas é certo afirmar que os municípios vêm fazendo a diferença na vida das pessoas. Mas isso não é suficiente, porque quanto mais eles atendem a população em serviços essenciais, mais as demandas crescem e mais recursos são necessários, que por sinal, estão cada vez mais controlados e concentrados na União.   

Erechim e região não têm representação política na Câmara Federal, que ajudaria um pouco nesta questão financeira, principalmente, injetando, diretamente, mais recursos públicos na saúde, infraestrutura, turismo e noutras áreas. Seriam recursos complementares, porque o essencial ainda precisa vir da gestão pública municipal. Deputado federal seria mais um canal em Brasília para reivindicar investimentos, projetos, enfim, trabalhar pela região. Mas é algo impalpável de forma como a política se movimenta regionalmente.  

O palpável é o município fazer gestão e utilizar os recursos que têm para modernizar a máquina pública, promover o desenvolvimento econômico e social, enfim, proporcionar bem-estar à população. E há bons projetos, neste sentido, na região Alto Uruguai, começando por Erechim, que é o município referência e vem dando o exemplo, com a implantação de várias políticas públicas efetivas à população, da cidade ao campo. Barra do Rio Azul nos programas agrícolas. E, Itatiba do Sul, na saúde, entre outros, para pontuar alguns. Reúnam-se as experiências municipais e teríamos um bom plano de governo estadual e federal.    

Em mais da metade da minha existência brasiliense e riograndense e não registrei nenhum investimento que causasse um grande impacto na estrutura produtiva e socioeconômica, para além do que seria obrigatório, como por exemplo, ferrovias turísticas e de cargas. Um trem que cortasse o Brasil de ponta a ponta pelo litoral, do Oiapoque ao Chuí, para o passageiro usufruir das belíssimas paisagens do país.        

A realidade é que, depois de muitos anos, foram feitos os acessos asfálticos regionais pelo Estado. Mas ainda faltam Quatro Irmãos, Entre Rios do Sul e Erebango. Todas estas obras já deveriam estar prontas há anos, mas se inserem na lógica da falta de projetos públicos para a sociedade. O Alto Uruguai foi deliberadamente ignorado pelo poder público estadual durante décadas, mesmo sendo produtivo e enviando riquezas para o deleite do Estado, enquanto a vida se esvaía nos municípios.

E continua sendo ignorado pela união. A Transbrasiliana, de competência federal, está aí por fazer, e sempre com um novo capítulo nesta novela que já dura 50 anos. Já se passou do ponto de acreditar ou não na obra de asfaltamento da rodovia. Vive-se em estado de torpor, insensibilidade, do tanto faz, porque esperar 50 anos é demais, irrazoável em todos os sentidos.  

O Alto Uruguai atende a qualquer critério razoável para receber estes investimentos, simplesmente assim, como parte de um todo que contribui para manter este país em pé, vivo e produtivo. Isso sem contar todos os bilhões de reais que já foram enviados pela região em impostos, ao longo de todos estes anos. A conclusão é simples, o Brasil é reativo, não tem rumo, nenhum plano, é uma ode ao desperdício. O Brasil, como Estado, não está nem aí pros brasileiros.

   

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