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Opinião

Os olhos que me observam

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Marcelo V Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

“Um filho copia os movimentos do pai. Não os ensinamentos. Os movimentos. A paternidade é a maior arma para afiar o meu caráter. Ou sou o que sou, ou minha hipocrisia se escancara bem na minha frente”.

Essa citação mexeu comigo desde a primeira vez e me pega sempre, principalmente nos momentos mais banais, seja no trânsito, quando deixo escapar um palavrão em um momento de raiva; seja quando falo de forma grosseira com alguém em um dia mais difícil; seja quando deixo uma promessa no ar e não cumpro e, tudo isso, porque sei que há um par de olhinhos azuis me observando. E eles não anotam o que eu digo, eles memorizam o que eu faço. E sei que em algum lugar, tem um anjinho de olho nas minhas ações.

Ser pai é ser espelho. Não um espelho que reflete o ideal que eu gostaria de ser, mas o real que eu mostro todos os dias. A criança não absorve um discurso sobre gentileza se ela não vê gentileza nas minhas ações. Ela não aprende empatia se não vê como eu a trato, escuto ou trato a mãe dela no dia a dia, ou como trato um desconhecido que cruza nosso caminho por um motivo ou outro. Ela simplesmente absorve o que vive e não há nada mais honesto do que isso.

A paternidade, ao contrário do que muitos pensam, não é uma oportunidade de ensinar o certo. É uma oportunidade de viver o certo e, de ser observado 24 horas por dia enquanto se vive tudo isso, pelos olhinhos mais atentos, que ainda não sabem julgar, mas sabem imitar com perfeição. E esse é um dos maiores desafios que já enfrentei e que enfrento, saber que o meu pior momento pode ser justamente o que mais vai ensinar ao meu filho, para o bem ou para o mal.

É por isso que a paternidade me obriga a não apenas parecer, mas ser. Porque a hipocrisia, no íntimo de um lar, não tem disfarce. E não existe autoconsciência mais crua do que ver um defeito seu replicado num gesto inocente do seu filho. A paternidade me chama para a coerência, sempre alinhando discurso e ação, afinal, o que está em jogo não é só o exemplo, mas a verdade por trás dele, até porque se a teoria não bate com a prática, não há teoria que resista.

Não quero ser um pai perfeito, até porque nem teria como. Porém, quero ser um homem inteiro, disposto a reconhecer erros, a pedir desculpas e até a mudar. Ser pai não é só criar outro ser humano, é também se reinventar dia após dia, com a ajuda de alguém que mal sabe escrever o próprio nome, mas que já escreve a própria história com os traços que aprende ao me observar e, que ajuda a (re)escrever a minha.

A paternidade é um convite radical à integridade. Se tem algo que quero ensinar ao meu filho, é que coragem não é não errar, mas continuar tentando ser melhor, mesmo depois de ter errado. É assumir os erros e encarar as consequências. É mostrar que o amor, que a educação, que a verdade, que a honestidade e que o respeito são os melhores caminhos. E isso ele não vai aprender ouvindo, ele vai aprender me vendo.

E, neste segundo domingo do mês, um Feliz Dia dos Pais a todos que são.

Ao meu pai, seu Osmar Francisco Chinazzo, o meu muito obrigado pelo amor, pelas lições, pelo suporte e pela vida.

Aos meus filhos, gratidão por me fazerem pai. Por escancararem meus medos e me incentivarem a mostrar toda a minha coragem, me reinventando todos os dias.

Amo vocês ao infinito e além, por toda a eternidade para muito além desse plano!

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