No dia 16 de julho, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim apresentaram os projetos desenvolvidos na disciplina Introdução ao Pensamento Social, como parte da metodologia Project-Based Learning (PBL), que prioriza a criação de soluções reais para desafios urbanos.
Durante a atividade, foram apresentadas propostas inovadoras de mobilidade urbana a representantes da Prefeitura de Erechim. Participaram do encontro o coordenador de Projetos, Jonathan Medeiros, e a coordenadora-geral de Gestão e Governança, Izabel Ribeiro. Entre as soluções expostas, destacam-se o protótipo de um aplicativo para recarga de cartão de transporte coletivo e o modelo de um novo ponto de parada de ônibus. As propostas incorporam temáticas sociológicas abordadas na disciplina, como desigualdade territorial, direito à cidade e inclusão social.
A iniciativa se soma a uma ação anterior realizada no dia 25 de junho, quando os estudantes encaminharam à Câmara de Vereadores de Erechim um projeto de lei sobre mobilidade urbana, apresentado a três parlamentares do município. A proposta visa articular conhecimentos técnicos, participação cidadã e fundamentos teóricos debatidos em sala de aula.
O projeto, intitulado Ponto de Partida, foi desenvolvido durante a disciplina conduzida pelo professor Kochav Koren Nobre Cavalcante e elaborado pelos estudantes Allana Victória Leal Coelho, Ana Julia Bay, Antonielly Oliveira da Silva, Fernando Antonio Granoski, Guilherme Menin, Gustavo Rafael Soier Mendes e Henrique João Graboski Dysarz.
Uma ideia que parte da cidade e retorna a ela
Segundo o professor Koren, “a ideia nasceu de uma convicção simples: a cidade deve entrar na sala de aula, e a sala de aula precisa devolver algo à cidade. Na disciplina Introdução ao Pensamento Social, foi proposto um ciclo de Project-Based Learning em que desigualdade territorial, direito à cidade e inclusão social deixassem de ser apenas conceitos para se tornarem critérios de projeto. Os estudantes mapearam rotas, observaram pontos de parada, registraram fricções cotidianas e prototiparam soluções. Foram coletadas mais de 200 respostas de cidadãos de Erechim, os quais apontaram a mobilidade urbana como a maior ‘dor’. O interesse veio justamente daí: quando o problema é real e tem endereço, o engajamento é imediato. O resultado foram entregas concretas e autorais, como um protótipo em baixa fidelidade de um app de recarga de cartão e novos modelos de ponto de ônibus, focando nas materialidades que são a vocação do curso de Arquitetura.”
Aplicabilidade prática
Caso venha a ser financiado por órgãos públicos ou privados, o aplicativo pode reduzir filas e deslocamentos para recarga de cartões, devolver tempo aos usuários e facilitar o planejamento das viagens. Já o novo modelo de ponto de parada foi pensado para melhorar o conforto e a segurança dos passageiros, por meio de melhorias em sinalização, iluminação, abrigo e acessibilidade. As soluções são de baixo custo relativo, escaláveis e passíveis de adoção incremental, iniciando com projetos-piloto em rotas estratégicas e avançando por módulos (infraestrutura, comunicação visual, manutenção).
A intenção da equipe é que as propostas possam ser incorporadas a ações de políticas públicas. “E não apenas como vitrine, mas como pipeline. A lógica de aplicação do PBL é: problema público → protótipo testável → evidência → decisão. Ao levarmos os resultados à Câmara de Vereadores e à Prefeitura, buscamos abrir caminho para pilotos regulamentados, com métricas de desempenho e de equidade. A ambição é transformar protótipos em soluções institucionais, incorporadas a programas de mobilidade, compras públicas e rotinas de manutenção, com transparência e avaliação contínua”, avalia o professor Kochav.
Próximos passos
O projeto terá continuidade nos próximos meses em três frentes:
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Desenvolvimento de pilotos em pontos e linhas de maior demanda, com estudantes das próximas turmas do curso de Arquitetura e Urbanismo;
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Testes de usabilidade do aplicativo e busca de financiamento por meio de outras disciplinas, como Direito e Cidadania, voltada a estudantes de Educação do Campo;
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Criação de métricas claras (tempo de recarga, tempo de espera percebido, conforto, segurança, taxa de adoção por faixas etárias e bairros) para ajustes e aprimoramento contínuo;
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Articulação de arranjos de cooperação entre Universidade, Prefeitura e operadores de transporte, garantindo manutenção e escalabilidade das soluções propostas.