A bela e imperial cidade da Rússia
São Petersburgo já foi a capital, mas não perde o seu charme. A Rússia é um país de herança cultural muito rica e com uma tumultuada história – dos czares ao comunismo. Centro da antiga e poderosa União Soviética. Seu território é vasto. É a nação com maior área no mundo, mas os turistas se concentram nas capitais – São Petersburgo e a atual Moscou. Sem dúvida, será nelas que se encontram os locais mais importantes para visitar e onde se terá um contato mais íntimo com a história, a cultura, a arquitetura e as artes do povo russo.
São Petersburgo – visitas que não podem faltar
No artigo anterior nominamos: o Palácio de Inverno da Catarina, a Grande, hoje, parte dele é o Museu Hermitage – um dos mais belos, completos do mundo e o charmoso Teatro Mariinsky.
O Petrodvorets
O Palácio de Pedro, o Grande - palácio de verão comparável à grandiosidade do Palácio de Versalhes - na França. O Petrodvorets era a ostentação do czar Pedro para a Europa. Localizado no Golfo da Finlândia- Mar Báltico – Pedro o ergueu no início do século XVIII para que a arquitetura e a vida social de sua corte fossem comparadas ao maior palácio Europeu – Versalhes-França. Desejava mostrar aos “primos pobres” – como chamava a corte europeia - que não deixava nada a desejar em relação a eles. O próprio Pedro traçou as linhas do projeto desse extravagante palácio de verão com 120 hectares de jardins: são 60 fontes, 39 estátuas e 19 km de canais escavados por trabalhadores. Os melhores engenheiros e arquitetos franceses e italianos executaram as obras. Muitas surpresas aguardam na sua visita: muito caminhos pelos jardins possuem fontes ocultas e, ao pisar, podemos ser surpreendidos com um belo jato de água.
São Petersburgo foi dominada por 900 dias durante a Segunda Guerra pelos nazistas, a ponto de a cidade ser aniquilada, mas o projeto de Pedro e concluído, após sua morte, por Catarina, foi cuidadosamente reconstruído segundo os planos originais do Czar Pedro.
Tsarskoye Selo - o palácio de verão da Catarina
Pode ser considerado o palácio mais belo e luxuoso da época. Localizado a 60km rumo ao interior de São Petersburgo. Encontra-se em meio a um parque de 600 hectares. O Palácio de Verão da Catarina, a Grande, foi construído de 1752 a 1756 por projeto do famoso arquiteto italiano Bartolomeo Rastrelli. Foi cuidadosamente preservado ao longo dos anos. A obra conserva a mesma aparência do século XVIII em suas belas cores branco, azul e dourado. Catarina passou nele grande parte da sua vida e nele também morreu.
O impressionante palácio
Ele guarda muitos dos maiores tesouros da obra e vida czarista. Ele está em meio a um lindo parque com lagos, aleias de limoeiros, gramados, pavilhões com objetos de viagem, carruagens e caça. As tropas de Hitler o utilizaram como quartel da Gestapo e, em 1944- final da Segunda Guerra - o incendiaram. Antes, levaram muitas obras de arte inclusive o âmbar que forrava as paredes do belo salão dourado. O âmbar nunca foi encontrado um dos grandes mistérios da Guerra. Isso custou ao governo russo, recentemente, um gasto de milhões de dólares para reconstruir a Sala Dourada.
O palácio da Catarina
Atualmente, durante a visita tudo parece como quando foi construído. Mas, graças aos funcionários leais ao Palácio, quando da invasão de Hitler, conseguiram enterrar e esconder em armazéns grande parte da mobília e das obras de arte, que assim foram salvas. Tempos depois, foi necessário um exército de artesãos que levaram 25 anos para recriar um dos maiores monumentos arquitetônicos do passado revolucionário da Rússia. Basearam-se em gravuras, plantas e correspondências. Para a visita é necessário colocar sobre os sapatos umas pantufas de lã para preservar o belo trabalho em madeira nobre do assoalho. Com tanto fausto no Império Russo dá para entender, mais uma vez, o porquê da Revolução Russa por parte do povo oprimido.
Uma noite na corte
Numa das viagens a São Petersburgo, de navio cruzeiro, participamos de um evento no Palácio da Catarina, a Grande: o Evening at the Imperial Russian Court.
Ou, Uma Noite na Corte Imperial Russa. Com trajes de festa, deixamos o porto onde o navio estava ancorado, pelas 17 horas, e rumamos, de ônibus, para o Palácio da Catarina, a Grande. No grande Salão do Trono fomos recebidos pela Royal Guards Orchestra para uma apresentação de balé e brindes com champagne. Na entrada, um casal, vestido como rei e rainha, recebia os convidados. Repetiram como seria uma recepção no Palácio. Chamava a atenção, no luxuoso salão, o grande quadro, de larga moldura dourada, da Rainha. O Palácio é também chamado de Palácio Pushkin em memória ao grande poeta russo.
O jantar como era na corte
O jantar aconteceu num anexo do Palácio no Tsar´s Present Restaurant. Passando por belos jardins ao som da Filarmônica de São Petersburgo que executava belas valsas russas, para o jantar. O ambiente era luxuoso com mesas para seis lugares e lindas toalhas de linho branco. Porcelanas com monograma, cristais, talheres de prata. Grandes lustres de cristal deixavam tudo muito iluminado. Os pratos eram perfeitamente servidos, prontos, na seguinte ordem: 1. Salada com vegetais frescos – 2. Salmão com vegetais cozidos – 3. Panquecas com “red caviar “– 4. Posta de filé de perca (peixe) no forno ao molho com tomilho. O jantar iniciou com um cálice de vodca para brindar, depois vinho e água. As sobremesas elegantemente servidas: Sorvete com calda de chocolate e Pavlowa (torta de merengue com morangos). Durante a sobremesa aconteceram danças folclóricas. Finalizando: café e chá. Na refeição russa, como final, é tradição ser servido um chá – ensinamento das- babushkas – (vovós russas) para uma boa digestão.
Conclusão
Voltamos encantados com a beleza da noite que nos foi oferecida. Não tínhamos muitos detalhes e não sabíamos muito sobre o que iria acontecer. Muitos maridos ficaram no navio, pois acharam que seria uma apresentação de balé. Ficaram decepcionados com a perda desse programa. Chegamos ao navio quando já passava da meia-noite. Spokoy Nochi!