Quando eu era guri lá no interior do Rio Grande do Sul, fiz promessas silenciosas a mim mesmo. A cada vez que meu pai me corrigia ou fazia cobranças, prometi que não gritaria como meu pai gritava. Que não aplicaria castigos como ele castigou. Que seria diferente — mais paciente, mais afetuoso, mais presente. Que fique claro que não estou julgando, apenas relembrando.
Naquele tempo, eu não sabia o peso que a vida deposita nas costas de um homem comum, trabalhador e pai de família. Não sabia o que era voltar do trabalho moído, com a cabeça cheia de contas, a alma cansada e o coração em conflito. Eu não sabia que, às vezes, amar também cansa. E que, às vezes, o cansaço nos transforma naquilo que juramos nunca ser.
Hoje, já tendo vivido a experiência maravilhosa de ser pai, reconheço a cada dia o abismo entre a teoria e a prática. Entre a promessa e o cotidiano. Entre o ideal e o real.
Descobri que não existe manual que prepare alguém para a paternidade. Que ser pai não é ser herói, mas ser humano. Que, muitas vezes, falhamos. E, às vezes, falhamos feio. Repetimos padrões. Reagimos com dureza. Fugimos de conversas importantes. Esquecemos eventos e nos perdemos em distrações. Sempre prometi não julgar ou cobrar em demasia meus filhos, mas acabo fazendo.
Mas também aprendi que amar é tentar de novo. Que reconhecer os erros é uma forma de ensinar. Que dizer "me desculpa" educa tanto quanto dizer "faça o que digo, mas não faça o que eu faço", como ouvi inúmeras de meu amado pai. Aprendo diariamente que ser pai não é ter todas as respostas — é ter coragem de perguntar junto, de caminhar ao lado, de chorar escondido para depois sorrir na frente.
Entre o pai que prometi ser e o que acabei sendo, existe uma certa distância. Um caminho feito de tropeços e acertos, de cansaços e superações. Um caminho de amor — ainda que imperfeito. Mas sigo prometendo em silêncio: serei um pai melhor a cada dia.
Talvez meu filho, um dia, também prometa ser diferente de mim. Talvez ele também quebre essa promessa. E tudo bem, faz parte da vida. O que importa é que ele caminhe. E que, ao olhar para trás, veja que, apesar dos erros, havia amor em cada passo. Como vejo atualmente que meu pai não errou, mas pode ter feitos escolhas equivocadas para o momento, mas sempre buscando o melhor para todos nós.
Feliz Dia dos Pais aos homens reais. Aos que estão aprendendo diariamente com erros e acertos. Aos que choram, escutam, erram e recomeçam. Porque, no fim das contas, ser pai é isso: é presença. E presença cura mais do que qualquer discurso bonito.