O Brasil viu a pior face da política brasileira, nesta semana, a versão mais perversa, cruel, improdutiva e decadente, ao querer impedir o funcionamento do Congresso e impor pautas, pura e simplesmente, para atender interesses corporativos, fisiológicos, partidários, indiferentes às dificuldades e privações vividas, diariamente, pela população.
Esta política medíocre, egoísta e avessa às funções e obrigações públicas, já deveria estar com os dias contados, contudo, não é o que se está vendo. É lamentável. Porque parece renascer, cada vez mais forte, ignorando, completamente, os problemas reais do país, que são muitos e precisam de solução. Respostas que passam, necessariamente, pela política, mas que ao agir desta forma contribui sobremaneira para que se acumulem as demandas nas áreas da saúde, educação, infraestrutura, renda, trabalho, numa lista sem fim.
Os deputados federais, senadores, vivem num mundo à parte, um realismo fantástico, sobrenatural, com recursos, praticamente, à vontade. Um deputado federal tem em torno de R$ 200 mil por mês, mais milhões de reais em emendas, e todo tipo de benefícios inimagináveis para a grande maioria da população, porque jamais terá acesso a tanto dinheiro, tamanha qualidade de vida e ao que há de melhor no Brasil. E há muita coisa boa por aí, só que não cabe no bolso de 90% da população.
Será falta de pautas? Obviamente, não, mas vamos deixar assim, e como contribuição, seguem algumas sugestões, como melhorar o rendimento do trabalhador, incentivar novos negócios, fazer obras públicas, reduzir os juros escorchantes e o custo do dinheiro para quem quer comprar a casa própria. Saneamento, oferta de água em regiões de seca. Como melhorar a produção de alimentos, a questão climática, ampliar a matriz energética solar. Construir estradas, portos, aeroportos, ferrovias.
Está na hora, senhores e senhoras congressistas, de colocar o bloco na rua. Sujar os pés no esgoto à céu aberto que mata milhares de pessoas todos os anos, principalmente, crianças. Entrar nos hospitais para entender a saúde pública. Caminhar nos bairros, comunidades, favelas. Andar a pé, de ônibus, bicicleta. Está na hora de arriscar a vida, todo dia, para atravessar a rodovia indo trabalhar ou para escola. Está na hora de entender todos os tipos de violência deste país. Sentar numa classe de escola pública. Está na hora de sujar as mãos, com terra, para resolver os problemas do campo.
Está na hora de sair desta bolha de mármore e ouro encastelada em Brasília e aterrissar, cair na realidade, que está esmurrando a porta do Congresso, há décadas, e ninguém escuta, porque há tudo por fazer neste Brasil. Pelamor, está na hora de acordar, dar o exemplo, fazer o que precisa ser feito para este país proporcionar bem-estar para todos, senhores congressistas, e não somente uma mínima fração do todo.
Está na hora de estancar a polarização política, este maniqueísmo destrutivo, esta luta do bem contra o mal, que está arruinando o país, as famílias, as relações profissionais e pessoais, criando inimigos, desconfiança, cavando sem cessar um abismo entre pessoas, instituições públicas, sociedade.
A polarização política já estabeleceu a derrocada, a demolição da sociedade brasileira, de dentro pra fora, pelo menos, daquilo que seria importante para se construir um Brasil mais igualitário, justo, eficiente para todos, ela está corrompendo a consciência dos brasileiros.