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Opinião

O perigo dos extremos

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Marcelo V Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

Vivemos tempos de extremos e, em todos os campos, tanto social, cultural, quanto comportamental, o equilíbrio parece ter perdido seu espaço. E quando tudo se radicaliza, o diálogo desaparece, a empatia é esquecida e a escuta se torna seletiva. Um dos grandes males do nosso tempo é justamente esse, o extremismo.

Não importa se o debate é sobre direitos, justiça ou convivência, o perigo está em acreditar que a nossa dor é sempre maior do que a do outro. Que os nossos problemas merecem mais atenção. Que a nossa verdade deve se impor a todas as outras.

Sabemos que há dívidas históricas, que pessoas, principalmente as pertencentes as minorias, sofrem violências todos os dias e que os silenciamentos injustos precisam ser reconhecidos. Mas isso não justifica inverter a lógica e colocar pessoas ou grupos em pedestais intocáveis, como se fossem isentos de falhas humanas e desvios de caráter que podem acometer a todos, independentemente de gênero, raça, orientação e classe social. A reparação necessária não pode abrir espaço para uma nova forma de injustiça e da cegueira que se recusa a ver erros por trás de causas justas.

A história é cíclica e, se não aprendermos com ela, corremos o risco de repetir velhos padrões sob roupagens modernas. Daqui a algumas décadas ou séculos, talvez estejamos testemunhando os mesmos problemas de hoje, aqueles que julgamos errados e queremos combater com unhas e dentes, apenas com novos protagonistas. Se quisermos construir um futuro mais justo, será preciso ir além da igualdade. Será preciso buscar equidade e, isso, só se alcança quando deixamos de exaltar uns enquanto desqualificamos outros.

A sociedade é feita de pessoas, de plurais e cada um com sua história, sua bagagem, seus erros e acertos, contribui para esse todo complexo. E, da mesma forma que somos moldados por ela, também temos a responsabilidade de moldá-la. Isso exige olhar o outro como indivíduo, antes de qualquer rótulo. Cor, gênero, profissão ou classe social não devem definir o valor de ninguém, tão pouco para o bem, tão pouco para o mal. Talvez pareça utopia. E, de fato, é. Mas também pode ser a única solução possível.

Outro aspecto que nos adoece como sociedade é a superficialidade com que tratamos debates profundos. A ânsia de agradar, de se mostrar "correto", acaba nos tornando reféns de discursos prontos, muitas vezes definidos por vozes das redes sociais. Influenciadores que, embora dominem o alcance, na maioria das vezes carecem de preparo, argumentos sólidos e profundidade.

É bonito defender causas. É necessário lutar por justiça. Mas não faz sentido fazê-lo sem capacidade de escuta, sem espaço para o contraditório, sem consciência de que nenhuma ideia é absoluta. Defender com paixão é legítimo. Defender com cegueira, não.

O mundo precisa de equilíbrio. E talvez uma das tarefas mais complexas da atualidade seja aprender a dialogar, a ponderar, a reconhecer que não somos o centro do universo e que jamais estaremos 100 por cento certos, tão pouco o outro estará de todo errado. Dessa forma, quem sabe, um dia poderemos sair do ciclo do excesso e caminhar, enfim, em direção ao essencial.

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