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Opinião

Apenas um

teste
Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Tem uns cantos do Brasil que parecem saídos de um livro de contos de fadas, só que com roteiro do Tarantino.

Manhã gelada, Serra Gaúcha, 2 °C e aquela névoa que deixa até a alma gelada.

Antes da reunião de logo mais, entro num misto de bolicho, cafeteria e mercearia, esperando pelo menos um café quente.

Mas algo me chamou a atenção no estabelecimento: todas as prateleiras pareciam uma exposição minimalista. Explico: 2 pacotes de biscoito, 2 pacotes de erva-mate, 2 latas de salsicha, 2 de sardinha, 2 de cada suco, 2 de cada coisa.

Homenagem à Arca de Noé, pensei.

Pedi 2 pães de queijo e o homem atrás do balcão, com a simpatia de um porteiro de presídio, responde:

— Bom dia, não dá, moço. Só posso vender 1 unidade pro senhor.

— Mas por quê?

— Vai que aparece alguém e queira comprar. Daí não tem, e daí perco o cliente.

Mais tarde, na reunião da empresa, contei o caso e descobri que o homem era um empresário conhecido, veterano.

Antes da mercearia, tinha uma banca de cachorro-quente. Era um sucesso: fila na praça, telefone tocando sem parar com pedidos de entrega. Mas ele, irritado com tanta procura, fechou.

— Muito trabalho, muita correria.

Abriu um bar: cerveja gelada, caipirinha boa, sexta-feira lotada, 200 drinks, 1.000 cervejas. Muito movimento. Fechou também. “Não imaginei tanta procura”, dizia.

E agora, na mercearia, vende só uma unidade de cada coisa pra não faltar pro próximo cliente.

Aí o diretor da empresa me contou o gran finale: o irmão deste sujeito trabalha lá, na área industrial. Em uma recente reunião de sugestões inovadoras, o gênio sugeriu:

— E se a gente torcer pra vender menos? Assim a produção diminui e a gente economiza na matéria-prima.

É mole? Deve ser genética empreendedora recessiva.

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