Opinião não é escudo, isso não nos permite falar o que quisermos sem consequências. Nos tempos em que vivemos, onde todo mundo tem algo a dizer e rápido, a importância de saber antes de falar, fala ainda mais alto. Redes sociais viraram palanques improvisados onde muitos sobem sem o menor preparo, sem o mínimo de conhecimento sobre o que estão falando. E o problema nem é opinar, mas sim, sustentar a própria opinião com base em achismos, sem argumentos sólidos e, quando confrontados com dados ou contrapontos minimamente racionais, recorrer à grosseria. Afinal, as ofensas costumam surgir quando os argumentos acabam.
É ilusório esperar que o mundo viva em uníssono de ideias. Concordância plena é utopia. Mas existe uma diferença gigantesca entre discordar com classe e agredir por falta de repertório e por não saber lidar com críticas. A verdade é que muita gente ainda não entendeu que equilíbrio emocional e sanidade mental são requisitos básicos para qualquer debate saudável, bem como, para a vida em sociedade, de maneira geral.
O pior é quando, no meio disso tudo, entram as convicções religiosas como bengala para justificar posturas absolutamente contraditórias. Tem gente que vive arrotando o nome de Deus, crente que já garantiu uma cadeira cativa ao lado Dele, mas se esquece de que, se seguir mesmo o exemplo de Jesus, Ele estava justamente nos lugares e com as pessoas que muitos hoje fazem questão de desprezar.
Antes de bater no peito para falar de fé, amor ao próximo e moralidade, vale dar uma boa olhada no espelho. Ser cristão, ou seguir qualquer outra fé, não é performar santidade em praça pública, mas praticar o básico da empatia que a própria fé exige. Do contrário, é só discurso vazio, revestido de vaidade e julgamento. E isso está na Bíblia, aquele livro que alguns tanto exaltam, mas pouco seguem, mais precisamente em Mateus 6:3-4: "Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, para que a sua esmola fique em secreto; e o seu Pai, que vê em secreto, o recompensará".
Aliás, já repararam que quem realmente é grande não precisa dizer? Quem viajou o mundo, quem fez o bem, quem tem inteligência, não precisa anunciar isso a todo segundo. Quando alguém precisa reafirmar o tempo todo o quanto é evoluído, provavelmente ainda não saiu do jardim de infância emocional.
Ser sábio não é saber tudo, ao contrário, é reconhecer que ainda se tem muito a aprender, principalmente com os mais humildes. É saber ouvir, refletir e, muitas vezes, calar. É entender que opinião se sustenta com argumento, não com grito. E que grandeza de verdade se mede no silêncio e nas atitudes e que o resto é só barulho, afinal, cão que ladra não morde.