O cotidiano nos abastece de um “sem fim” de histórias e de comparações.
Eis que, de repente, um “maratonista” descalibrado, de chinelo frouxo, camiseta furada e um nível etílico que dispensa isotônico, cria um personagem único.
O sujeito, segundo dizem, já chegou bêbado (ou seja, abastecido, tanque cheio e anestesiado) à largada e cruza a linha de chegada de uma prova de 8 km com medalha no peito e um sorrisão no rosto.
Não usou tênis de placa de carbono, não tinha roupa que transpira, não tinha alimentação (que dirá balanceada), não leu nenhum livro de alta performance, não teve noite plena de sono, nem aquecimento, nem alongamento, não tinha playlist motivacional enfiada nas orelhas, nem sabia o que é VO2 máximo.
O máximo dele era a coragem e o susto da iniciativa depois da largada inesperada. E o mínimo? Bom, o mínimo era tudo o que os especialistas diriam que não se deve fazer antes de uma corrida.
Mas ele correu. E venceu.
E o que isso nos ensina sobre vendas, negócios e sucesso?
Que, às vezes, os maiores resultados não vêm dos conselhos, muito menos dos gurus.
Vêm da coragem de simplesmente ir, mesmo tropeçando nos próprios chinelos. E isso explica muitas histórias de sucesso que presencio na trajetória pessoal.
Toda equipe de vendas conhece um personagem assim:
– Aquele que não fez todos os cursos, mas fecha negócio no olhar.
– Que não entende funil de conversão, mas entende de gente.
– Que nunca foi num “kick-off” motivacional, mas sabe como ninguém dar o primeiro passo.
Esse vendedor pode não ter os melhores argumentos, mas tem uma fé absurda no “vai dar certo”. E, muitas vezes, dá mesmo. Talvez porque não espera estar 100% pronto para agir. Ele arranca com os 40% que tem. O resto vem no caminho (às vezes, literalmente tropeçando no meio-fio).
Casos de sucesso improváveis são mais comuns do que se imagina.
Tem camelô que virou CEO. A senhorinha que criou um império de bolos depois de ser demitida. O vendedor de bairro que superou os consultores mais engomadinhos de multinacional.
Todos eles tinham algo em comum com o “maratonista de chinelo”: coragem de começar mesmo sem estar prontos.
Então, da próxima vez que alguém disser que falta um curso, um certificado, uma ferramenta, uma reunião de alinhamento etc., lembre do maratonista de chinelo.
Lembre-se da pinga no sangue, do suor na testa e da medalha no peito.