A COP 30 está dividindo a opinião dos analistas ambientais. Alguns dizem que trará muitos benefícios ao país, pois deixará o “legado Amazônico”. No âmbito ambiental, a COP 30 pode promover uma maior conscientização e engajamento da sociedade brasileira nas questões ambientais.
A conferência deve mobilizar a população em torno de temas como desmatamento, poluição, gases de efeito estufa, eventos climáticos severos, mercado de carbono, sustentabilidade, justiça climática, entre outros. “O crescimento do protagonismo brasileiro internacional está ocorrendo, é algo importante, ou seja, o Brasil, sendo reconhecido, além de ser a nona maior economia do planeta, está retomando o papel de liderança mundial no G20, não é só na COP 30. É importante para o Brasil e para a região amazônica mostrar que os compromissos brasileiros de zerar o desmatamento até 2030 são concretos, e nós temos todas as condições de cumprir com as nossas obrigações internacionais feitas de acordo com o Acordo de Paris”, aponta Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP.
A Conferência buscará
- Fortalecer o financiamento climático: garantir recursos para países em desenvolvimento enfrentarem os impactos das mudanças climáticas e implementarem medidas de mitigação e adaptação;
- Proteger biomas críticos: colocar a preservação de florestas tropicais, como a Amazônia, no centro das discussões, promovendo soluções baseadas na natureza;
- Aumentar a resiliência global: estabelecer indicadores claros para o Objetivo Global de Adaptação, definido na COP 28, em 2023, visando preparar as nações para eventos climáticos extremos;
- Consolidar o mercado de carbono: avançar na implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que regula a troca de créditos de carbono entre países e o setor privado.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, além do impacto na agenda ambiental, a COP 30 pode gerar um legado econômico significativo para o Brasil, com investimentos expressivos, pois terá o potencial de atrair novos investimentos estrangeiros para o país, especialmente nos setores de energia limpa, agricultura sustentável e ecoturismo, fortalecendo a economia nacional e gerando novos postos de trabalho.
O governo federal destinou R$ 172 milhões para qualificar a rede hoteleira, buscando criar mais de 26 mil novas acomodações para o evento, incluindo 4.500 leitos em cruzeiros, mais de mil em novos hotéis, quase 11.500 em aluguéis de casas e apartamentos, 2.300 com apoio das Forças Armadas e mais de 5.000 em escolas adaptadas.
As opiniões divergentes já começam pelo local escolhido para sediar a COP 30: a cidade de Belém, no estado do Pará. As críticas vão desde a falta de infraestrutura, transporte público precário (o metrô está sendo construído há 21 anos e ainda não foi concluído), esgotos e lixo a céu aberto, cursos de água poluídos, favelas, falta de hotéis para acomodação dos participantes e turistas. “Imaginem que transformaram motéis, cuja diária custa R$ 70,00, em hotéis, com diárias de R$ 3.000,00. Sem noção! Sem falar no enorme desvio de dinheiro público!”
Como alguns países aventaram desistir de vir à Conferência devido aos elevados preços dos hotéis, o governo federal estuda colocar transatlânticos no rio Amazonas para hospedar autoridades, cientistas, conferencistas, participantes e turistas.
Mas a maior das críticas foi o desmatamento de uma área de floresta nativa, em plena Floresta Amazônica, para a construção de uma avenida, equivalente a mais de 100 hectares (107 campos de futebol), e que foi pouco divulgada.
Há um mês, por motivos de trabalho, estive em Belém e cidades periféricas. O que vi é um grande canteiro de obras na cidade, e ouvi das pessoas que não serão concluídas a tempo. E, como dito acima, a corrupção e o desvio de recursos são uma triste realidade. Infelizmente, este é o pior dos “cânceres” do Brasil.
Entretanto, as opiniões divergentes sobre a COP 30 não ficam só nesta ótica. Alguns analistas dizem que será um fracasso por outros motivos, como:
a) divergências nos temas centrais — alguns países não se farão presentes no evento por não concordarem com as agendas ambientais estabelecidas;
b) as questões geopolíticas que afloraram com guerras entre países afetarão os entendimentos voltados ao meio ambiente — é o caso do corte do abastecimento de gás da Rússia para a Europa;
c) os EUA se retiraram do Acordo de Paris;
d) entre outros.
Apesar dos problemas, como cidadãos brasileiros, temos que torcer pelo nosso país, para que a Conferência seja um sucesso, que mostre ao mundo o nosso Bioma Amazônico, tão vasto e rico, e que, como resultado, nos traga ganhos econômicos, sociais e ambientais.
Dependendo do sucesso ou do fracasso, o Brasil se credenciará, ou não, como “protagonista da agenda climática global”.